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Redação

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Câmara de Maceió realiza audiência pública para discutir sobre a Hanseníase

2 de maio de 2019
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Nesta quinta-feira (2), a Câmara Municipal de Maceió realizou uma audiência pública para discutir a Hanseníase. A sessão foi proposta pela vereadora Ana Hora (PSD) e aconteceu no Plenário Silvânio Barbosa, .

Na ocasião, estiveram presentes o Ministério Público Estadual (MPE/AL), a deputada estadual Jó Pereira (MDB), as Secretarias de Saúde do município e do Estado, o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), o Reitor da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas e lideranças comunitárias.

De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, entre os anos de 2014 a 2018, a proporção de casos entre homens e mulheres mostra-se similar, sendo um pouco maior entre os homens. Houve um maior número de casos entre pessoas de raça parda, com 70,4% no ano de 2014 e 67,4% no ano de 2018. Em todos os anos avaliados, mais de metade dos casos foram diagnosticados na forma multibacilar, ou seja, forma mais grave da doença, com várias lesões na pele. A taxa de detecção em menores de 15 anos se mantém alta, o que ratifica a importância do diagnóstico precoce. Só em Alagoas, em 2018, a Sesau registrou 334 casos da doença, 27 a mais do que no ano de 2017.

A deputada estadual Jó Pereira (MDB) informou durante a audiência que protocolou na Assembleia Legislativa um Projeto de Lei (PL) que estabelece em Alagoas a Política de Educação Preventiva contra a Hanseníase, de forma que a doença possa ganhar maior visibilidade por parte da população alagoana e combater o preconceito que ainda é tão evidente.

“O projeto de lei que foi encaminhado por mim trás a necessidade de atenção integral aos pacientes, famílias e comunidades, além de oficializar o Janeiro Roxo, a semana de combate ao preconceito da hanseníase e o dia 25 de maio como o Dia Estadual de Conscientização e Divulgação sobre os Sinais e Sintomas da Hanseníase. É uma doença silenciosa e, por isso, é importante a coordenação do Estado para um diagnóstico precoce. São direitos humanos que estão sendo violados já que hoje o paciente com essa patologia é isolado pelo preconceito” declarou a deputada.

Janaina Santos, vice-coordenadora do Morhan Alagoas, após cinco anos em busca de diagnóstico, descobriu que estava com Hanseníase e falou da importância de se descobrir a doença de forma precoce “Descobri que estava com hanseníase em 2015 e já apresentava lesões no corpo desde 2010. Inicialmente fui diagnosticada com micose, após ter meu corpo todo tomado por lesões, descobriram que era hanseníase e sei que se tivesse sido diagnosticada mais cedo não chegaria a um nível tão avançado da doença. A trajetória de um paciente com hanseníase não é fácil e acredito que é preciso que sejam feitas mais campanhas para que todos tenham conhecimento sobre essa patologia e possam se tratar antes dela se agravar. Essa luta é de todos, desde os pacientes até os profissionais envolvidos nos casos. Hanseníase tem cura e eu acredito nisso, um olhar mais atento faz toda a diferença” frisou.

Henrique de Oliveira, Reitor da Uncisal, deixou a universidade à disposição da sociedade para a prevenção, o diagnóstico e tratamento da doença, frisou, ainda, que é papel das autoridades envolvidas se articularem para promover ações de grande impacto para combate à Hanseníase.

A vereadora Ana Hora destacou a importância de debates como esse para difundir, cada vez mais, informações sobre a Hanseníase e ainda propôs a formação de uma comissão para promover discussões e se aprofundar nesta causa. “Nada melhor que uma audiência pública para discutir esse tema e a população se inteirar, já que muitas pessoas não conhecem essa doença milenar e os portadores dela ainda sofrem tanto preconceito. Proponho a formação de uma comissão que discuta formas viáveis para melhorar a qualidade de vida desses pacientes, acabar com o preconceito e avançar nos tratamentos da Hanseníase”, finalizou a parlamentar.

Saiba mais

A hanseníase é uma doença popularmente conhecida como lepra, uma patologia milenar e pode ser apresentada com manchas na pele, sejam mais claras, vermelhas ou mais escuras. Quando o nervo de uma área é afetado, surge dormência, perda de tônus muscular e retração dos dedos, com desenvolvimento de incapacidades físicas.

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