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Cícero: em Maceió, saúde é prioridade desde a pré-campanha

11 de maio de 2020
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Lívia Duarte

Manter-se ativo na vida da cidade, pensando e trabalhando por seu futuro, conversando e articulando com o máximo possível de pessoas. Mas tudo isso sem sair de casa, obedecendo as recomendações das autoridades de saúde e do PCdoB. É o que tem feito o pré-candidato do PCdoB a prefeito de Maceió, Cícero Filho.

“O mundo virtual é uma imposição do coronavírus. É importante se adaptar e seguir as determinações das autoridades sanitárias para que a gente possa superar essa fase difícil o mais breve possível”, ponderou Cícero.

O pré-candidato, que tem 47 anos, é oficial de justiça, músico profissional e apresentador de um programa de entrevistas, o Folha na TV, da TV Maceió, explicou que está atuando da melhor maneira, “mantendo todo nosso grupo do Movimento 65 reunido, mas por meio da internet”.

Apesar do isolamento social, o calendário das Eleições 2020 está mantido pela Justiça Eleitoral. Por isso, as atividades das pré-campanhas majoritárias e a cargos proporcionais para prefeituras e Câmaras Municipais continuam.

Segundo Cícero, uma frente de trabalho importante dos últimos tempos tem sido a intensificação dos contatos com os profissionais que tocam e cantam na capital de Alagoas.

“Como músico, tenho grande preocupação com a classe artística. Estamos dialogando e buscando alternativas para esta categoria que foi uma das primeiras a parar e provavelmente estará entre as últimas a retornar atividades, pois é preciso evitar aglomeração de pessoas”, pontuou.

Saúde

Em março, antes das restrições de circulação, Cícero visitou a sede nacional da legenda em Brasília. Na oportunidade, conversou pessoalmente com a equipe do Portal PCdoB.

Na época, elencou as áreas que precisam de mais atenção do administrador municipal e destacou quais seriam suas prioridades: saúde pública, mobilidade e segurança. Segundo Cícero, os debates sobre a realidade da capital alagoana, que vão embasar planos de governo, começaram ainda no ano passado e envolvem especialistas, pessoas que já despontavam como possíveis pré-candidatos a Câmara de Vereadores e a comunidade.

A saúde pública, pauta do momento em virtude do coronavírus, é preocupação antiga de Cícero. Para ele, “Maceió precisa passar por uma transformação”. E o centro da estratégia é a atenção básica.

“Somos uma das piores capitais em termos de cobertura da Saúde da Família, que a própria OMS [Organização Mundial da Saúde] diz que deve resolver 80% dos problemas de saúde da população. Temos menos de 30% de cobertura. Há capitais que alcançam 100%. E a situação ainda é mais grave se considerarmos que apenas 10% da população tem plano de saúde em Maceió”, explicou.

Diante do cenário de agravamento dos casos de coronavírus e do isolamento social, voltamos a conversar com Cícero, por meio da internet, sobre a saúde da sua cidade. E ele elogiou as medidas tomadas pelo governo do Estado para restringir o contato entre as pessoas, especialmente tendo em conta as especificidades locais.

“Foram publicados decretos para evitar a circulação logo no início e isso tem feito com que a gente não esteja numa situação de gravidade maior, como temos visto em outros estados. Isso é fundamental para nossa capital, onde 90% das pessoas dependem totalmente do SUS. Sem medidas efetivas, mais vidas estarão em risco”, analisou.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde de Alagoas, divulgados na noite desta terça-feira (5), o estado contabiliza 1605 casos confirmados de covid-19. A maioria deles, 1.206, é em Maceió. Entre os 80 óbitos confirmados em território alagoano, 50 aconteceram na capital. Segundo as autoridades, a quantidade de contaminados está crescendo de forma acentuada pela não observância de parte significativa da população às medidas de isolamento.

Mobilidade e segurança

Os outros problemas classificados como principais pelo pré-candidato do PCdoB são mobilidade e segurança. No que diz respeito ao deslocamento da cidade, ele acredita ser fundamental inovar pensando sobre o mapa de Maceió, sem fórmulas prontas.

“Mobilidade urbana é um problema terrível e me parece que não são encontradas alternativas porque não querem encontrar. É uma área em que há muitos interesses envolvidos, tudo hoje é centrado nos ônibus em termos de transporte público. Estamos falando da cidade das águas, e a gente não tem um sistema hidroviário! Ciclovias também podem fazer parte da mudança. Não como solução única, mas como uma das alternativas”, ponderou.

Sobre a violência, destacou que apesar dos números estarem melhores do que no passado – ele diz que a cidade já foi a capital mais violenta do país, hoje está na sexta posição – há muito que melhorar.

“Segurança é dever do estado, que controla o aparato repressivo, mas é responsabilidade de todos. E a gente vê falar pouco das responsabilidades do município. Entendo que há um papel a cumprir, por exemplo, conservando os espaços públicos, melhorando a iluminação, diminuindo a evasão escolar. Tudo isso ajuda a combater a violência, então precisamos ter programas sérios e com pé no chão”, defendeu.

[Com camaradas antes da pandemia. Foto: reprodução]

Enfrentar desigualdade

“Pé no chão”, inclusive no sentido literal, soa a uma espécie de especialidade de Cícero. Apesar da paixão pela música, a vida lhe encaminhou para duas profissões que permitiram conhecer sua cidade “do coração” em detalhe: antes de ser oficial de justiça, Cícero foi carteiro: duas atividades exercidas na rua. Na transição de uma ocupação a outra, faculdade de direito à noite e o esforço comum a muitas famílias trabalhadoras do país.

Então foi a pé, e a partir do mundo do trabalho, que ele pode localizar o melhor e o pior de Maceió.

“O que tem de melhor em Maceió, para mim, foi o que Deus colocou, né? A natureza. É uma cidade belíssima. Agora, o que falta é ação humana para mudar uma realidade que é o pior da cidade: é muito desigual”, comentou, explicando que o se o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é considerado bom (0,7), quando visto com lupa, percebe-se que “temos a Noruega e o Haiti” na mesma cidade. “Então, diminuir a desigualdade é o desafio central”, cravou.

“Eu não acredito no ‘eu futebol clube’. Por isso acho que o PCdoB pode contribuir demais com Maceió. O partido tem expertise de campo, os pré-candidatos a vereador e vereadora na chapa que estamos montando também conhecem bem a realidade da cidade e entendo que podemos encontrar saídas para os problemas do dia a dia do nosso povo”, defendeu o pré-candidato, que é filiado ao PCdoB há 10 anos e foi fundador do Sindicato dos Oficiais de Justiça de Alagoas e seu primeiro presidente.

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