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Voz de Gonzaguinha, que faria 75 anos, ecoa através de obra inoxidável

22 de setembro de 2020
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Voz de Gonzaguinha, que faria 75 anos, ecoa através de obra inoxidável
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♪ Nem sempre Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (22 de setembro de 1945 – 29 de abril de 1991) foi visto com um sorriso nos lábios, como na ilustração acima, criada pelo artista visual Elifas Andreato. Muitas vezes Gonzaguinha – como ficou popularmente conhecido nos anos 1970 e 1980 esse cantor e compositor carioca – fechou a cara como forma de contestação.

De natureza indomada, o artista fechou a cara na vida – o que lhe rendeu desafetos e injustiças – e na obra que ainda pulsa, relevante, quase 30 anos após a precoce saída de cena do artista.

A morte impediu Gonzaguinha de chegar aos 75 anos, que poderiam estar sendo festejados nesta quarta-feira, 22 de setembro de 2020. Se vivo fosse, talvez o artista fizesse hoje uma live com as presenças de algumas das muitas cantoras que lhe deram voz.

Maria Bethânia, Simone, Joanna, Nana Caymmi, Ângela Maria (1929 – 2018), Gal Costa, Marisa Gata Mansa (1938 – 2003)… É difícil apontar uma cantora da MPB que nunca tenha gravado música de Gonzaguinha entre 1978 e 1986. Algumas, como Leila Pinheiro e Selma Reis (1958 – 2015), dedicaram posteriormente álbuns ao cancioneiro de Gonzaguinha, assim como Emilio Santiago (1946 – 2013).

Foram discos que se tornaram homenagens póstumas. Como a que Teresa Cristina prestará ao compositor na live desta quarta-feira, dia do 75º aniversário de Gonzaguinha, filho de um rei do baião que, sem jamais renegar a origem nobre, fundou a própria dinastia musical, perpetuada em dezenas de grandes canções.

A obra de Gonzaguinha vem atravessando gerações. Sambas como Comportamento geral (1972) e É (1988) são de impressionante atualidade.

Antes de entregar o romantismo que tentou conter, Gonzaguinha fez músicas que, por entre as frestas do sombrio Brasil dos anos 1970, afirmavam que a gente não tem cara de panaca. O cantor soube dar voz ao desenredo dessa escola Unidos do Pau Brasil que vem atravessando o samba. Voz que se levantou contra a opressão. Voz que jamais se calou ou foi calada.

Contudo, sempre acreditando na rapaziada que segue em frente, Gonzaguinha foi enternecendo a obra sem perder a dureza necessária para encarar o Brasil.

Há quem prefira o romantismo derramado em Lindo lago do amor (1984) e em Mamão com mel (1985). Ou as exaltações da vida que se faz feliz nas odes da canção Maravida (1981) e do samba O que é o que é (1982). Há quem prefira as canções políticas. Umas e outras são inoxidáveis.

Impregnada do suor dos corpos, a obra de Gonzaguinha inclui muitas grandes composições que resistem esplendidamente ao passar dos anos sem perda do viço poético, validando o clichê de que, se a vida é breve, e a da Gonzaguinha foi curta demais, a arte é longa e desafia o tempo. A voz de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior ainda ecoa no Brasil de 2020.

Mauro Ferreira – G1 Pop&Arte

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