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Redação

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Ministério admite que campanha de vacinação pode parar e pede ajuda à China para compra de 30 milhões de doses

10 de março de 2021
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Conheça os tipos de vacina contra covid-19

vacina para Covid-19

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O Ministério da Saúde enviou carta ao embaixador da China na segunda-feira (8) na qual cita o risco de a falta de doses interromper a vacinação contra a Covid-19 e, por isso, pede ajuda para “averiguar” se a farmacêutica Sinopharm tem a disponibilidade de 30 milhões de doses para fornecer ao Brasil.

A vacina da Sinopharm, batizada de BBIBP-CorV, não está entre as doses negociadas ou em sondagem já anunciadas pelo Ministério da Saúde (veja cronograma e fornecedores abaixo).

Em dezembro a empresa anunciou que o imunizante tem 79,3% de eficácia. A vacina da Sinopharm é do tipo que é denominada “inativada”, que utiliza o método clássico e recorre a um vírus “morto” para gerar uma reação imunológica.

Atualmente, o Brasil conta com outra vacina desenvolvida na China em sua campanha de vacinação contra a Covid-19: é a CoronaVac, da Sinovac, que foi trazida ao país após acordo do governo de São Paulo por meio do Instituto Butantan.

A carta com o pedido de ajuda na negociação com o potencial fornecedor foi assinada pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, e enviada ao embaixador Yang Wanming. Em cinco pontos, Élcio cita o impacto da variante P.1, defende a vacinação como principal estratégia e faz o pedido de ajuda para o fornecimento de doses.

“A campanha nacional de imunização, contudo, corre risco de ser interrompida por falta de doses, dada a escassez da oferta internacional. Por conta disso, o Ministério da Saúde vem buscando estabelecer contato com novos fornecedores, em especial a Sinopharm, cuja vacina é de comprovada eficácia contra a Covid-19” – Élcio Franco, secretário-executivo

Doses em negociação ou potenciais fornecedores

Atualmente, de acordo com o mais recente cronograma do ministério da Saúde, a lista de fornecedores já fechados ou em negociação é a seguinte:

Vacina de Oxford – Acordo para recebimento de 112 milhões até julho. Entre elas, 4 milhões já foram entregues. Além disso, há previsão de 110 milhões de doses a partir do segundo semestre com produção 100% nacional na Fiocruz.

CoronaVac – Acordo para recebimento de 100 milhões, sendo que 15,5 milhões já foram entregues.
Covax Facility – Acordo para recebimento de 42,5 milhões de doses.
Covaxin – Acordo para recebimento de 20 milhões de doses
Sputnik – Em negociação para compra de 10 milhões de doses
Pfizer/BioNTech – Em negociação para compra de 100 milhões de doses
Janssen – Em negociação para compra de 38 milhões de doses
Moderna – Em negociação para compra de 13 milhões de doses
Se concretizadas todas as compras anunciadas ou em negociação, o Brasil teria cerca de 545 milhões de doses, o que seria suficiente para 253 milhões de pessoas. Entretanto, o desafio do Ministério da Saúde é concluir os acordos e garantir que as entregas ocorram o mais breve possível. No cenário internacional, diversos países, incluindo aqueles que integram a União Europeia, enfrentam atrasos nas entregas das doses já negociadas.

Histórico de conflitos

O documento obtido pela TV Globo foi enviado ao embaixador da China no Brasil Yang Wanming, com quem integrantes do governo brasileiro e da família do presidente Jair Bolsonaro já protagonizaram conflitos.

Em outubro, Bolsonaro afirmou: “Não compraremos a vacina da China”, desautorizando o ministro Eduardo Pazuello, que havia negociado a aquisição de 46 milhões de doses da CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o instituto Butantan, de São Paulo.

Em março, um dos filhos do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), culpou a China pela disseminação do coronavírus. Na ocasião, a embaixada chinesa reagiu ao responder ao deputado: “As suas palavras são extremamente irresponsáveis e nos soam familiares. Não deixam de ser uma imitação dos seus queridos amigos. Ao voltar de Miami, contraiu, infelizmente, vírus mental que está infectando a amizade entre os nossos povos”, publicou a embaixada em uma rede social.

Em novembro, Eduardo Bolsonaro hostilizou a China devido à tecnologia 5G, a internet móvel de quinta geração, cujo leilão está previsto para este ano. O filho do presidente escreveu em uma rede social (e depois apagou): “Aliança global para um 5G seguro, sem espionagem da China”. A embaixada da China repudiou.

Carta ao embaixador da China
Veja abaixo a íntegra da carta:

“Assunto: Sinopharm – fornecimento de doses da vacina BBIBP-CorV.

Senhor Embaixador,

1. O Brasil enfrenta, hoje, nova variante do coronavírus, conhecida como P1, que se vem mostrando infecciosa e capaz de evoluir em quadro clínico grave com rapidez. O Ministério da Saúde está ciente da importância de conter essa cepa e de impedir que se espalhe pelo mundo, recrudescendo a pandemia.

2. A principal estratégia brasileira para conter a pandemia e, em particular, essa variante P1 é intensificar a vacinação. Até a presente data, já foram vacinadas mais de 9 milhões de pessoas.

3. A campanha nacional de imunização, contudo, corre risco de ser interrompida por falta de doses, dada a escassez da oferta internacional. Por conta disso, o Ministério da Saúde vem buscando estabelecer contato com novos fornecedores, em especial a Sinopharm, cuja vacina é de comprovada eficácia contra a Covid-19.

4. Nesse contexto, muito agradeceria os bons ofícios de Vossa Excelência para averiguar a possibilidade de a Sinopharm fornecer 30 milhões de doses da vacina BBIBP-CorV, em cronograma e preço a serem acordados, se possível, ainda para o primeiro semestre de 2021, com possibilidade de quantidades adicionais para o segundo semestre deste ano.

5. O Ministério da Saúde agradece toda atenção e auxílio que a Embaixada da República Popular da China no Brasil e a Sinopharm puderem oferecer ao Brasil neste momento, para aumentar a oferta de imunizantes no âmbito do Plano Nacional de Operacionalização de Vacinação Contra a Covid-19.

Respeitosamente,

ANTÔNIO ELCIO FRANCO FILHO

Secretário-Executivo”

 

G1

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