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Pai registra filho “no sigilo” como Gabriel Henrique Arrascaeta; mãe desaprova: “Nome horrível”

4 de maio de 2021
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Pai registra filho “no sigilo” como Gabriel Henrique Arrascaeta; mãe desaprova: “Nome horrível”
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O Flamengo tem fanáticos espalhados pelo Brasil. No Amazonas, por exemplo, pesquisas apontam que o clube tem a maior torcida do estado. Mas nem todos torcedores são iguais, não é mesmo? Gênesis Braga da Silva, por exemplo, é muito diferente dos demais.

Gênesis é daqueles que são sócios-torcedores, não perdem um jogo sequer do clube, falam o tempo todo do Flamengo e – por que não? – tomam atitudes exageradas de vez em quando. Numa dessas decisões tomadas no impulso – e sem consentimento de sua esposa – nasceu, em Manaus, Gabriel Henrique Arrascaeta Chagas da Silva, hoje com 22 dias.

– No começo foi difícil convencer minha esposa porque ela não queria Arrascaeta, ela achava que era meio feio e não conhecia o jogador. Aí eu mostrei para ela quem era o jogador, mostrei os gols que ele fazia e disse que eu gostava muito. Até que a maternidade toda soube que ia ser Arrascaeta, todo mundo ficou falando, foi aquele alvoroço – conta.

“Aí ela teve que ceder um pouco. Eu fui no cartório e já voltei com ele registrado como Arrascaeta. Ela não pôde fazer mais nada. Para convencê-la, mostrei o primeiro gol da final da Libertadores de 2019. Ela assistiu comigo, mas depois aceitou. Agora a gente só chama ela de Arrasca. — Gênesis Braga da Silva, pai.

O pai “maluco” contou o processo para homenagear o trio multicampeão pelo Flamengo. Tudo começou na final da Libertadores de 2019. O gol de empate, marcado por Gabriel, foi iniciado em jogada de Bruno Henrique e teve assistência de Arrascaeta. O título, inclusive, culminou numa tatuagem da taça da Libertadores em seu antebraço.

– Como flamenguista foi fácil. Devido à final da Libertadores, daquelas conquistas de 2019, com Gabriel, Bruno Henrique, Arrascaeta, Everton Ribeiro… Quando a gente descobriu que ela estava grávida, fizemos um acordo: se fosse mulher, minha esposa escolheria o nome. Se fosse homem, eu escolheria o nome. Quando descobrimos que seria menino, já tinha em mente o que ia fazer. Eu falei para ela que seria Bruno Henrique. Ela gostou. Falou: “nome bonito”, entramos num acordo – ilustrou

– Depois de alguns meses, eu falei: “Vamos mudar o nome para Gabriel Henrique”. Passou um tempo e, quando ele nasceu, eu vim com a surpresa: “O nome vai ser Gabriel Henrique De Arrascaeta.” No início ela não aceitou, brigou comigo, ela estava operada ainda, porque ele tinha acabado de nascer. Eu falei que ia realizar meu sonho. Eu queria colocar Ribeiro, mas meu nome não tinha Ribeiro, nem o dela. No cartório, falou que não podia. Também não podia pôr o “De” do Arrascaeta – completou.

Gênenis tem 26 anos e uma família recheada de flamenguistas. Seu primogênito, que é filho dele com outra mulher, se chama Davi Lucca, mas também seria homenageado. A ideia inicial era registrá-lo como Bruno Lucca, goleiro campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009, mas o pai voltou atrás após o assassinato de Eliza Samudio.

No caso de Gabriel Henrique Arrascaeta, a pergunta é inevitável: e se, no futuro, o garoto torcer por outro clube? Pode virar Vasco, time da tia, irmã de seu pai, por exemplo? Ou, quem sabe, um dia acordar curioso e perguntar a razão do nome tão longo? Gênesis tem as respostas na ponta da língua.

“Se ele resolver torcer por outro time, vai ser complicado. Só para você ter uma ideia, ele está todo vestido de flamenguista, então ele não vai ter nenhuma outra opção a não ser ser flamenguista mesmo. Meu pai é doente, eu sou doente. Tenho até a taça da Libertadores que tatuei um dia depois do título. Ele não vai me dar esse desgosto.” — Gênesis Braga

– E se um dia ele me perguntar a origem do nome dele, já tenho tudo em mente. Vou colocá-lo no sofá e vou mostrar o ano mágico do Flamengo de 2019, mostrar quem foram os caras, mostrar o primeiro gol da final da Libertadores, que a bola passou pelos pés dos três jogadores – finalizou.

E a mãe?
Se para o papai está tudo bem, obrigado, não se pode dizer o mesmo da mamãe. Na cama do hospital e de repouso por conta da cesariana, Fernanda de Medeiros Chagas, de 34 anos, foi pega de surpresa. Mas não aquelas divertidas, como festas de aniversário ou uma viagem para Paris.

Ela viu seu marido voltar do cartório com o filho registrado com nome “estranho”, segundo ela. E para piorar: com o sobrenome materno simplesmente errado. Em vez de Chagas, como toda sua família, o cartório registrou Chaga. Gênesis precisou voltar ao cartório para corrigir o erro.

– Por mais que eu fosse escolher o nome da menina, eu idealizei Bruno Henrique ou Gabriel Henrique. Não passava na minha cabeça esse Arrascaeta, nunca. Para mim é um nome estranho. Eu disse: “Meu Deus, eu não acredito que você vai fazer isso, essa criança pode sofrer bullying”. Já pensou quando ele estiver adolescente, chamarem ele para jogar bola? Não vão chamá-lo de Gabriel, mas de Arrasca – diz.

GE

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