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Empresários do ramo de água mineral denunciam que população está sendo enganada

5 de julho de 2021
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Empresários do ramo de água mineral denunciam que população está sendo enganada
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Redação

Nesta segunda-feira (05), empresários do ramo de água mineral relataram ao Ministério Público de Alagoas irregularidades que têm sido constatadas no setor. A denúncia aponta que há empresas vendendo água sem adição de sais e sem inspeção devida por um engenheiro químico, assim como estão confeccionando garrafões de forma reciclável, mesmo sendo vedado pela legislação.

A comissão garante que a população alagoana tem sido enganada e levou os relatos ao procurador-geral de Justiça, Márcio Roberto. Para os negociantes, a sociedade está comprando água sem que passe pelo processamento exigido pela vigilância sanitária.

“Há empresas coletando água e engarrafando diretamente do solo sem os cuidados necessários para garantir a saúde da população. Vendem como mineral quando não têm os equipamentos necessários exigidos pela vigilância e não colocam os sais, o custo é menor, mas há o risco. É um barato que sai caro. A água para ser vendida como mineral deve passar por um processo grande, por profissionais competentes, e recebendo o que é obrigatório. A população está sendo enganada”, afirma o presidente do Sindágua, Davi Pontes.

O empresário José Inácio, da água mineral ‘é Leve’ foi quem tomou a iniciativa para o agendamento da reunião e se mostrou bastante receoso.

“Há uma preocupação permanente no tocante ao que temos constatado e é preciso que sejam encontradas soluções. Nós, que trabalhamos corretamente, investimos na contratação de profissionais técnicos, especialistas, compramos maquinário indispensável para garantir o fornecimento de uma água de fato mineral e estamos acompanhando no mercado águas sem o menor tratamento, garrafões sem sanitização, numa concorrência injusta que não prejudica somente os empresários, mas diretamente a saúde dos consumidores”, declara Inácio.

Já Normando Monteiro, da água mineral ‘Frascalli’, ressaltou que essa preocupação é antiga, inclusive já houve coleta e envio de algumas águas sem tratamento adequado à Vigilância Sanitária Estadual com laudo de reprovação. Segundo ele, houve a comprovação de que os sais não eram adicionados.

Márcio Roberto, após ouvir os depoimentos, enfatizou que a instituição tem como principais obrigações as fiscalizações, de modo geral, sempre em defesa da coletividade.

“É nosso dever agir em qualquer área e combatendo ilícitos que afetem a comunidade. Ciente das denúncias dos senhores, convocarei os promotores de Justiça da Saúde Pública, também da Defesa do Consumidor, para que discutamos a demanda e, consequentemente, possamos acionar os órgãos competentes, estaduais e municipal, para uma reunião e tentemos chegar à solução do problema. O que não podemos é permitir que a população seja vítima de irresponsabilidades, ainda mais correndo o risco de ter a saúde afetada”, afirma o procurador-geral de Justiça.

Além dos problemas em relação ao tratamento inadequado da água, a comissão apresentou outro agravante, a acomodação em recipientes reciclados. Os empresários levaram à reunião o fabricante dos garrafões que explicou os riscos aos quais o consumidor é submetido, podendo levar a problemas de saúde graves.

Reciclagem
De acordo com Marcos Sampaio, fabricante de garrafões para empresas de Alagoas e outros estados, é proibido, por lei, a reciclagem, mas muitas empresas têm adotado esse método embora irregular.

“É preciso que a população saiba do risco que corre, muitas vezes os botijões vêm de outros estados, com ratos ou urina de ratos dentro e eles não limpam para moer e aproveitar o material para fazer outros, passam na máquina de reciclagem do jeito que chegam e quando os novos garrafões são produzidos, feitos com os antigos, as bactérias são absorvidas no plástico e, evidentemente, misturam-se na água que neles é armazenada”, disse Sampaio.

Finalizando, o procurador-geral de Justiça reconheceu o setor como de importância para a sociedade e pediu que fizessem uma representação com encaminhamento ao gabinete para que seja feita a análise pela assessoria técnica e, em seguida, adotadas as primeiras providências. O chefe ministerial sugeriu, também, que as empresas fizessem campanhas educativas para alertar a população.

com MP-AL

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