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Primeiro álbum de Pc Lamar traz indagações filosóficas sobre o aqui e agora

3 de fevereiro de 2022
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Primeiro álbum de Pc Lamar traz indagações filosóficas sobre o aqui e agora
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Entre as canções, ‘A Cidade desabando’ (de quase oito minutos) faz referência à expulsão de moradores e empresários dos bairros destruídos por mineradora na capital alagoana; ‘Todo trabalho é resultado de uma pesquisa; as músicas são interligadas’, diz o artista

PC Lamar faz o lançamento de seu primeiro álbum na semana que vem, quinta-feira (10). O discaço — “A Enigmática Palavra perdida de Pc Lamar sob um Céu vermelho de Verão” — começa em ritmo de bossa nova, com os acordes (“Acorde” é o nome da canção) tocados pelo próprio artista. Mas logo essa primeira faixa se desconstrói e o cantor, compositor, instrumentista, apoiado por uma banda muito legal, passeia do pop ao hard rock e até um certo rock espacial a la Pink Floyd.

“Inicialmente a maioria das questões que o disco atravessa advém de problemáticas caras à filosofia e à sociologia”, explica Pc Lamar, que se formou no curso de licenciatura de História, na Ufal, há três anos, e é muito ligado no assunto. “Minha jornada de estudos e reflexões nesses campos remete-se à dialética marxiana, filosofia da linguagem, fenomenologia da espiritualidade, hermenêutica e uns lampejos da física quântica.”

Está certo. E não dá para ficar calado, não é? Não diante de tão relevantes questões. As letras são longas, o título do álbum é ficcional (e extenso). O artista vai dissertando sobre essas situações, como ele diz, “vividas em pleno cotidiano brasileiro sob o bolsonarismo”. O resto é: “Digitalização do mundo, pandemia/ isolamento e grande alegria em enfrentar tudo isso”.

E a banda segue firme e forte. Grandes músicos acompanham Pc Lamar nessa viagem musical, poética e filosófica. O multi-instrumentista Pedro Salvador exercendo sua criativa desenvoltura e a surpresa de um guitar hero na parada, o Lucas Cavalcante. “Gravei violão, voz e fiz sonoplastia/ efeitos”, diz Lamar. “Pedro gravou bateria, baixo e teclado/ synths, e Lucas, as guitarras. São dois músicos excepcionais e amigos caros meus. A mixagem do Vicente Barroso também contribui para o resultado final.” A capa e o encarte mereceram um belo trabalho do designer Giovani Gomes.

Só para esclarecer: “A Enigmática Palavra perdida de Pc Lamar sob um Céu vermelho de Verão” — produzido com recursos da Lei Aldir Blanc/ Ministério do Turismo/ Secretaria de Cultura de Alagoas — tem apenas cinco faixas. Mas algumas com seis minutos, outras com sete. “Foi feito pensando no conceito de álbum, para ser ouvido, se possível, do início ao fim sem interrupções, pois as músicas são, de certa forma, interligadas, feito um livro.” Falou tudo. Esse álbum já nasceu clássico — e cheio de experimentações.

“Neste ponto”, explica o músico, “bebi em fontes diretas da filosofia. Ideias como hipertexto trabalhada pelo professor pernambucano Alberto Lins Caldas; corpo de mercadoria (merceologia) de Marx, campos de força (rizoma) de Deleuze, trazem, entre muitas outras coisas, a multicomplexidade e retrocomposição das palavras, imagens/ memória das coisas, teatralidade do real e, portanto, música.”

Filosofia, materialismo histórico, capitalismo selvagem. Pc Lamar foi até os bairros da nossa capital afundados pela mineradora Braskem. “Olha essa cidade/ Ela está/ Desabando de verdade/ A parte em que está/ Entre minha casa e você/ Entre minha cama e a sua (…)” (“A Cidade desabando”). “Todo o álbum é resultado de uma pesquisa”, conta Lamar, que em setembro do ano passado lançou o videoclipe “Calado”, totalmente gravado nos bairros destruídos e abandonados.

“Em uma dessas visitas, desta vez ao Mutange, um dos moradores se predispôs a comentar seu sentir ao viver os últimos dias no bairro, enquanto os vizinhos carregavam caminhões de mudança e outros arrancavam janelas, telhas e portas”, conta o artista, que incluiu a fala desse senhor na canção de maior fôlego (de quase oito minutos) do álbum. Eis um disco sincero e autêntico. E urgente.

Mas tem mais. O videoclipe da última faixa, “O Próprio”, sai junto com o álbum, que também rendeu show gravado no Teatro de Arena, que em breve será divulgado.

Acesse as redes sociais do artista nos links

https://www.youtube.com/paulocesarix

https://www.instagram.com/pclamarr/

https://www.facebook.com/pclamarr

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