O afundamento do solo em cinco bairros de Maceió segue dando o que falar. Há uma semana, em mais um capítulo da tragédia que assola milhares de famílias, o Ministério Público Federal (MPF) tornou pública a resposta a questionamento feito sobre as condições do solo dos Flexais, em Bebedouro, a três órgãos responsáveis pelo acompanhamento do caso que se arrasta desde 2018, entre eles, a Defesa Civil Nacional.
E o que disseram, por meio de nota técnica, os tais órgãos? Que não há risco de colapso e que, por este motivo, a região deve permanecer fora do Mapa de Linhas de Ações Prioritárias, ou seja, fora da chamada área de realocação.
Em ofício, o MPF solicitou que as entidades avaliassem não apenas a situação do solo, mas também se as rachaduras nas casas e nas ruas do bairro – apresentadas por especialistas contratados pelos moradores – têm relação com o fenômeno da subsidência provocada pela exploração do Sal-Gema.
A comunidade, portanto, não mereceria indenização porque não restou comprovada a relação dos danos às residências com a extração de sal. Para o ex-deputado estadual Dudu Holanda, a resposta “é uma afronta a quem se vê prejudicado pelo crime socioambiental provocado pela Braskem”.
“Quem me conhece sabe que sempre questionei a presença da Braskem em Maceió. Já se tinha relatos de danos ao meio ambiente, sobretudo à Lagoa Mundaú, quando sequer imaginávamos a tragédia que se instalou em nossa cidade. Quando deputado e membro da Comissão de Meio Ambiente, sugeri, inclusive, a criação de uma CPI para se investigar a atuação da Braskem, propondo a paralisação imediata de suas atividades, bem como a sua transferência para o polo cloroquímico de Marechal Deodoro, em virtude dos riscos à população do Pontal da Barra”, recorda Holanda.
“O incidente de maio de 2011, quando houve um vazamento e mais de cem pessoas, todas com sintomas de intoxicação, precisaram de atendimento médico no Hospital Geral, foi um grande prenúncio. Dois dias depois, uma nova explosão deixou cinco funcionários feridos. O próprio auditor fiscal do trabalho atestou que esses acidentes poderiam ter sido evitados. E ainda havia uma discussão sobre o uso de amianto, que pode causar várias doenças, inclusive o câncer”, reforça o ex-deputado, acrescentando esperar que o MPF ao menos busque uma solução para os Flexais.
“Sem indenização, por menor que seja, ninguém tem para onde ir. Todos estão isolados pela ausência de serviços públicos provocada pela desocupação dos outros bairros. E a única culpada disso tudo é a Braskem. Não é à toa que a região Sul de Maceió, onde ela se instalou, não se desenvolve como deveria”, conclui Dudu.
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