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Inflação acelera no segundo semestre, e IPCA registra alta e atinge 0,26%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, que mede a inflação oficial do país, seguiu acelerando desde junho. Aumento da gasolina pesou no resultado

11 de outubro de 2023
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Alagoas é o estado que mais reduziu o preço da gasolina no Brasil

Assessoria

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Raphael Medeiros*

Termômetro financeiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mede a inflação oficial do Brasil. Na última análise, em setembro deste ano, o país atingiu 0,26%. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (11), pelo IBGE.

A avaliação do mês passado afirma a velocidade de crescimento da inflação, no segundo semestre brasileiro, após a queda de preços registrada em junho, quando o IPCA teve deflação de 0,08%. Deflação é a queda generalizada de preços de produtos e serviços, de forma contínua. Em julho, o índice foi de 0,12%. Em agosto subiu, chegando aos 0,23%.

No montante de 12 meses, até setembro, a inflação oficial do Brasil foi de 5,19%. No ano, a inflação acumulada é de 3,5%.

Apesar da aceleração do IPCA, o resultado veio abaixo das estimativas dos analistas. O consenso Refinitiv, que reúne as principais projeções do mercado, previa inflação mensal de 0,34% e, no acumulado de 12 meses, um índice de 5,27%. Divulgado há duas semanas, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, ficou em 0,35% em setembro.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é 3,25%. Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,75% e 4,75%.

De acordo com a última edição do Relatório Focus, do Banco Central (BC), o mercado projeta que a inflação termine 2023 em 4,86%, acima do teto da meta definida pelo CMN.=

Analistas já esperavam alta da inflação no 2º semestre

Segundo economistas e agentes do mercado ouvidos pelo Metrópoles, a alta do IPCA nos últimos meses afasta qualquer possibilidade de o Banco Central (BC) aumentar o ritmo de corte da taxa básica de juros nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

A elevação dos juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Atualmente, a Selic está em 12,75% ao ano, depois de duas reduções consecutivas de 0,5 ponto percentual pelo Copom, em agosto e setembro. Esse ritmo de queda da Selic deve ser mantido até o fim do ano.

Gasolina puxa alta em setembro

O maior impacto no resultado do IPCA em setembro (0,14 ponto percentual) e a maior variação (2,8%) vieram da gasolina. Destacam-se, ainda, as altas de saúde e cuidados pessoais (0,58%) e transportes (0,34%).

“A gasolina é o subitem que possui maior peso no IPCA. Com essa alta, acaba contribuindo de maneira importante para o resultado do mês de setembro”, afirma André Almeida, gerente do IPCA.

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, o de transportes teve o maior impacto positivo (0,29 ponto percentual) e a maior variação (1,4%). Ainda nesse grupo, as passagens aéreas avançaram 13,47%, após recuo de 11,69% em agosto.

Ainda em transportes, os combustíveis, em geral, tiveram alta de 2,7%, com aumento nos preços do óleo diesel (10,11%) e do gás veicular (0,66%) e queda no etanol (-0,62%).

Outro impacto importante, entre as altas, foi do grupo de habitação, com crescimento de 0,47% nos preços de setembro em relação a agosto. A energia elétrica residencial teve a maior contribuição do grupo, com alta de 0,99%.

Entre as quedas, o índice de setembro sofreu influência do grupo de alimentação e bebidas. “É o grupo de maior peso no IPCA e teve deflação pelo quarto mês consecutivo, mantendo trajetória de queda no preço dos alimentos principalmente para consumo no domicílio”, afirma Almeida.

A deflação do grupo alimentação foi de 0,71%. Os preços da alimentação no domicílio recuaram 1,02%, com destaque para batata-inglesa (-10,41%), cebola (-8,08%), ovo de galinha (-4,96%), leite longa vida (-4,06%) e carnes (-2,1%). Já o arroz (3,20%) e o tomate (2,89%) registraram altas.

Veja a variação de todos os grupos pesquisados:

  • Transportes: 1,4%
  • Habitação: 0,47%
  • Despesas pessoais: 0,45%
  • Vestuário: 0,38%
  • Educação: 0,05%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,04%
  • Comunicação: -0,11%
  • Artigos de residência: -0,58%
  • Alimentação e bebidas: -0,71%

* Com Metrópoles

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