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Crise pré-eleitoral: entenda a disputa interna do PL em Santa Catarina

11 de novembro de 2025
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Crise pré-eleitoral: entenda a disputa interna do PL em Santa Catarina

Foto: Congresso em Foco

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Fortaleza eleitoral consolidada da família Bolsonaro, Santa Catarina se tornou um ambiente de disputa interna dentro do próprio campo conservador. Faltando menos de um ano para o início do período eleitoral, o filho mais velho do ex-presidente protagoniza a construção de candidatura ao Senado em atrito direto com lideranças locais de seu próprio partido. Com o avançar da briga, o PL corre o risco de perder sua deputada mais votada no Estado.

O diretório do PL em SC é presidido pelo próprio governador, Jorginho Mello, que disputará a reeleição em 2026. Até o início de outubro, seu plano era lançar uma chapa com a deputada Caroline de Toni (PL-SC), a mais votada pelo Estado em 2022, e com o senador Esperidião Amim (PP-SC), ao Senado.

O desenho mudou no último mês, quando o vereador fluminense Carlos Bolsonaro abriu mão de seu cargo e se mudou para o interior do Estado para participar da eleição. Sua entrada em cena rachou a sigla, dividida entre parlamentares que defendem o fortalecimento de quadros locais e aliados de primeira ordem do ex-presidente.

Desarranjo

A entrada de Carlos Bolsonaro na disputa ao Senado afastou, no primeiro momento, o lançamento do nome de Caroline de Toni, que foi preterida por Jorginho Mello. O arranjo não agradou a família Bolsonaro: tanto Carlos quanto o deputado Eduardo Bolsonaro defenderam que a deputada permaneça na chapa, ocupando o espaço que estaria destinado a Esperidião Amin.

De Toni e Carlos Bolsonaro chegaram a formar um acordo no final de outubro: os dois passaram a ser considerados como os candidatos apoiados pela família do ex-presidente. No acordo, Carlos permanece disputando pelo PL, enquanto a permanência de Caroline no partido dependerá do apoio ou rejeição do governador. A deputada é cortejada pelo Novo, sigla com a qual possui proximidade de longa data, e chegou a receber um convite formal de filiação.

O novo desenho deixou Jorginho Mello em desvantagem: se compor a chapa “puro-sangue” com Carlos e de Toni, ficará em desacordo com a federação PP-União Brasil, com a qual possui uma aliança de longa data não apenas para fins eleitorais, mas também na formação de sua base na Assembleia Legislativa. Se descartar Caroline de Toni, ela poderá disputar por outra sigla, enfraquecendo a chapa. Se descartar Carlos Bolsonaro, estará contrariando diretamente a família Bolsonaro.

Resistência local

A entrada de Carlos Bolsonaro não foi bem recebida entre lideranças conservadoras de Santa Catarina. Parte do partido argumenta que o vereador não tem vínculo histórico com o Estado e que sua candidatura poderia enfraquecer a sigla em suas bases regionais. Deputados e prefeitos do interior defendem que o partido priorize nomes locais e consideram que a intervenção nacional ameaça o equilíbrio político do diretório estadual.

Entre as vozes mais críticas à candidatura de Carlos está a deputada estadual mais votada em 2022, Ana Campagnolo, que se manifestou em suas redes sociais apontando para o impacto que a chegada do vereador poderia provocar sobre a própria unidade do partido. “A saída de Carol nunca foi uma mentira, mas uma ameaça real para a força do PL catarinense. Todos aqui sabiam que poderia se concretizar com a chegada do Carlos. Todos sempre souberam. (…) O que estava organizado se desorganizou”, disse.

Campagnolo também expressou insatisfação com a ausência de uma mensagem concreta vinda do PL nacional, onde o presidente Valdemar Costa Neto afirma que o ex-presidente apoiará uma composição com Esperidião Amin, enquanto os filhos afirmam que será a chapa Carlos-de Toni. “Amin vai aceitar uma coligação fake sabendo que a base vai trabalhar para a Carol e não para ele? (…) Quem vai ser macho de fazer uma declaração oficial e avisar o Amin que ele está fora?”, questionou.

Por suas declarações, Ana Campagnolo entrou na mira direta de Eduardo Bolsonaro, que publicou um texto em suas redes afirmando que a vitória eleitoral da deputada estadual foi graças ao apoio da família Bolsonaro. “Se, um dia, você achar que a liderança política à qual pertence não está mais alinhada aos seus valores, fale em público e rompa abertamente”, demandou.

O prefeito de Pouso Redondo (SC), Rafael Tambozi, também se posicionou contra a permanência de Carlos. “O povo de SC não é gado, a gente não é tocado por diante. E isso tem que ficar bem claro nesse momento, onde as lideranças políticas do nosso Estado não se posicionam, quando a gente tem a imposição da candidatura do Carlos Bolsonaro a senador, tirando a nossa liderança consolidada em SC que é a Carol de Toni”, afirmou em vídeo às suas redes.

Apoio a Carlos

Do outro lado, Carlos Bolsonaro conta com o apoio tanto do irmão Eduardo Bolsonaro quanto de lideranças de peso na política catarinense. Entre eles, estão a deputada Julia Zanatta (PL-SC), que recorrentemente se pronuncia em sua defesa, e o senador Jorge Seif (PL-SC), que foi ministro da Agricultura no governo Bolsonaro.

Seif chegou a se pronunciar em plenário em resposta à postura de Campagnolo e chamando-a e aos demais críticos à campanha de Carlos de “ingratos”. “Vem uma deputada estadual, que não era nada até ontem, era professora, e agora se acha líder da direita em Santa Catarina falando mal do filho do presidente Bolsonaro”, comentou.

Mais tarde, na última sexta-feira (8), Seif participou de uma transmissão ao vivo nas redes de Zanatta, onde defendeu a chapa “puro sangue” com Carlos e Caroline.

“Se o Amin quer concorrer, ele pode concorrer. O PL chegou onde chegou sem coligação nenhuma. Nós vamos perder Carol? Por quê nós vamos perder Carol? E o Carlos já estava precificado. Estão colocando na conta do Carlos a saída da Carol, mas não é verdade. Lá atrás, eu participei da reunião com o presidente Bolsonaro: era uma vaga do presidente Bolsonaro, de Carlos, e uma vaga do Jorginho Mello, que era de Carol. Depois que, no meio do caminho, a coisa mudou”.

/Congresso em Foco

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