Banner-728x90px-Alagoas-Inteligente_2
1017
3 de fevereiro de 2026
Folha de Alagoas
BannerSiteContrato_SENAI_728x90px (1)
BannerSiteContrato_SENAI_728x90px (1)
  • INÍCIO
  • GERAL
  • INTERIOR
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTE
  • POLÍTICA
  • REBULIÇO
  • CONTATO
Sem resultados
Exibir todos os resultados
3 de fevereiro de 2026
Folha de Alagoas
Sem resultados
Exibir todos os resultados
CÂMARA 1 - 728x90 (1)
CÂMARA 2 - 728x90 (1)
Redação

Redação

Crime em série: Maceió sob a lógica de um serial killer ambiental

3 de fevereiro de 2026
0
BRASKEM: moradores denunciam surgimento de cratera em residência no Pinheiro

Foto: Davysson Mendes/Secom Maceió

Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Whatsapp

Por Maurício Sarmento*

O que acontece em Maceió não pode mais ser tratado como um conjunto de episódios desconectados, tampouco como falhas técnicas pontuais. O que está em curso é um crime continuado, marcado pela repetição sistemática de danos, pela ampliação constante das vítimas e pela naturalização do sofrimento humano. À luz do princípio da centralidade do sofrimento das vítimas, qualquer outra leitura é insuficiente e moralmente inaceitável.

A atuação da Braskem em Maceió segue um padrão que não pode ser suavizado por termos técnicos ou jurídicos: trata-se de uma lógica típica de serial killer ambiental. Não no sentido retórico banal, mas na definição precisa de quem provoca mortes sucessivas, ao longo do tempo, deixando um rastro contínuo de destruição. A diferença é que, aqui, as mortes são lentas sociais, econômicas, emocionais e ambientais e recaem sempre sobre os mesmos corpos: os das populações mais vulnerabilizadas.

O afundamento do solo, causado pela exploração predatória e irresponsável do salgema, foi o primeiro grande ato desse crime em série. Um crime anunciado, sustentado por alertas técnicos ignorados, que resultou na remoção forçada de bairros inteiros. Não foram apenas casas perdidas. Foram histórias interrompidas, redes de solidariedade destruídas, idosos que morreram sem elaborar o luto de suas moradias, crianças marcadas por deslocamentos forçados. Cada rachadura no chão correspondeu a uma fissura profunda na vida das vítimas.

Como todo serial killer, a violência não cessou no primeiro ataque. Avançou sobre os manguezais, com a devastação de quilômetros de áreas protegidas. Esse dano ambiental tem endereço social claro: pescadores e marisqueiras que perderam renda, alimento e dignidade. Quando o mangue morre, morre junto a segurança alimentar, a cultura tradicional e a autonomia de comunidades inteiras.

A sequência do crime alcançou a Lagoa Mundaú, um dos mais importantes sistemas lagunares do Nordeste. Sob suas águas concentra-se a maior parte das minas de salgema, cuja presença tem alterado artificialmente a salinidade da lagoa, levando à morte do ambiente marinho. O desaparecimento de peixes e crustáceos não é apenas um dado ecológico: é a falência do modo de vida de milhares de famílias que dependem da pesca artesanal para sobreviver. É a destruição lenta de uma identidade coletiva.

Mesmo após esse rastro de devastação, novas agressões continuam sendo impostas às populações atingidas, como a aplicação de inseticidas em áreas urbanas, sem critérios técnicos claros, sem transparência e sem controle social. Pessoas já profundamente feridas seguem sendo expostas a riscos químicos, tratadas como se suas vidas fossem descartáveis. O padrão se repete: dano, silêncio, impunidade e novas vítimas.

Por isso, é necessário afirmar com clareza: sem reparação integral às vítimas e ao meio ambiente, o crime continua. Reparação não é favor, nem compensação parcial. É reconhecimento pleno do sofrimento causado, reconstrução de vidas, recuperação ambiental verdadeira e garantia de não repetição. Qualquer acordo que ignore essa centralidade apenas legitima a continuidade da violência.

Colocar as vítimas no centro não é um recurso discursivo. É uma exigência ética, social e política. Enquanto o sofrimento das pessoas expulsas de seus territórios, dos pescadores privados de sua subsistência e das comunidades adoecidas não for plenamente reconhecido e reparado, Maceió seguirá sendo o palco de um crime em série e o serial killer seguirá agindo sob o manto da impunidade.

/Servidor Público, integrante do MUVB – Movimento Unificado das Vítimas da Braskem

Você também pode gostar desses conteúdos

Com mais de 900 denúncias em 2025, Sindicato adverte sobre aumento de golpes de falsos advogados em Alagoas
Sem categoria

Com mais de 900 denúncias em 2025, Sindicato adverte sobre aumento de golpes de falsos advogados em Alagoas

por Redação
3 de fevereiro de 2026
Banda Lugar Algum lança “Tchau”, quarto single da carreira
Sem categoria

Banda Lugar Algum lança “Tchau”, quarto single da carreira

por Redação
3 de fevereiro de 2026
MP recomenda transparência ao consumidor sobre taxa de turismo no Francês
Sem categoria

MP recomenda transparência ao consumidor sobre taxa de turismo no Francês

por Redação
3 de fevereiro de 2026
Justiça de Alagoas condena Gol por atraso de voo e perda de conexões
Sem categoria

Justiça de Alagoas condena Gol por atraso de voo e perda de conexões

por Redação
2 de fevereiro de 2026
Criança é atingida por bala perdida durante tiroteio no Benedito Bentes
Sem categoria

Dez suspeitos de estupro de vulnerável e violência doméstica são presos em AL

por Redação
2 de fevereiro de 2026

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

banner-site
banner-site
Próximo Post
Câmara retoma trabalhos nesta terça com primeira sessão ordinária de 2026

Câmara retoma trabalhos nesta terça com primeira sessão ordinária de 2026

Católicos de Paripueira discordam de evento com a participação de políticos

Católicos de Paripueira discordam de evento com a participação de políticos

7 de agosto de 2025
Vereador acusa Henrique Chicão de usar hospital para se eleger deputado

Vereador acusa Henrique Chicão de usar hospital para se eleger deputado

7 de agosto de 2025

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Sem categoria

Com mais de 900 denúncias em 2025, Sindicato adverte sobre aumento de golpes de falsos advogados em Alagoas

3 de fevereiro de 2026
Sem categoria

Banda Lugar Algum lança “Tchau”, quarto single da carreira

3 de fevereiro de 2026
Política

Câmara retoma trabalhos nesta terça com primeira sessão ordinária de 2026

3 de fevereiro de 2026

REDAÇÃO

(82) 98898-7444

folhadealagoas@gmail.com

ARQUIVOS

Disponível no Google Play

© 2021 | Folha de Alagoas.

Sem resultados
Exibir todos os resultados
  • INÍCIO
  • GERAL
  • INTERIOR
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTE
  • POLÍTICA
  • REBULIÇO
  • CONTATO

© 2021 | Folha de Alagoas.

Utilizamos cookies essenciais e outras tecnologias semelhantes, ao continuar navegando, você concorda essas e outras condições de nossa Política de Privacidade e Cookies.