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Fantástico traz detalhes da máfia dos concursos

23 de março de 2026
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Fantástico traz detalhes da máfia dos concursos

Foto: Reprodução/TV Globo

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A investigação que desmontou uma quadrilha especializada em fraudar diversos concursos públicos foi revelada com exclusividade pelo Fantástico neste domingo (22).

Um dos personagens centrais do esquema é Waldir Luiz de Araújo Gomes, conhecido como “Mister M”. Ele trabalhava na Cesgranrio, organizadora do CNU e, depois, entrou no Tribunal Regional da Paraíba. Segundo a PF, ele teve acesso antecipado às provas e explicava como violar os envelopes sem deixar vestígios.

“O lacre é fácil demais, tanto romper e botar de novo”, disse em um dos áudios vazados.

Além da abertura indevida dos pacotes de provas, a PF identificou o uso de pontos eletrônicos, fotografias de cadernos de questões e até a atuação de pessoas contratadas para fazer provas no lugar dos candidatos inscritos.

A Polícia Federal afirma que os valores cobrados variavam conforme o cargo. Para funções mais altas, como auditor fiscal, o preço podia chegar a R$ 500 mil.

Investigações

A investigação começou com uma denúncia anônima que levou os investigadores até o ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, na cidade de Patos, na Paraíba. Ele e dois parentes foram aprovados no Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2024 para o cargo de auditor fiscal do trabalho, com salário superior a 22 mil reais.

No celular da sobrinha dele, Larissa Neves, a polícia encontrou áudios que ajudam a explicar o esquema. Em uma conversa, o irmão de Wanderlan detalha a necessidade de subornar vigilantes, desligar câmeras e até usar um “boneco” — alguém pago para fazer a prova no lugar do candidato.

Horas antes da prova para auditor fiscal, Larissa enviou mensagens para o pai cobrando as respostas. A investigação aponta que, antes mesmo do início do exame, ela já tinha recebido o tema da redação e o gabarito.

As investigações também identificaram Thyago José de Andrade como chefe da organização criminosa. Ele seria responsável por cooptar funcionários de instituições organizadoras de concursos em todo o Brasil. Além do CNU, o grupo atuava em seleções para tribunais, bancos federais e universidades.

Mensagens interceptadas mostram negociações que envolviam centenas de milhares de reais. Em um dos áudios, Wanderlan fala sobre uma dívida de 400 mil reais a Thyago por um serviço prestado a um candidato.

Segundo a PF, alguns beneficiados não tinham condições de pagar à vista e faziam acordos, incluindo parcelamentos e entrega de bens como carros e viagens.

Avanço das investigações

A investigação avançou após a delação de Thyago e da namorada dele, Laís Giselly Nunes de Araújo. A partir daí, surgiram novos nomes, entre eles o do delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento.

De acordo com a Polícia Federal, Thyago afirmou que foi obrigado a trabalhar para o delegado, fraudando concursos para pessoas indicadas por ele. A PF também aponta que a esposa de Gustavo, Aially Xavier, tentou usar um ponto eletrônico em uma prova para delegado, mas o equipamento não funcionou.

Outro nome citado é o de um investigador da Polícia Civil de Alagoas e vereador em Arapiraca, que, segundo a PF, também participava do esquema: Ramon Isidoro Alves.

Na última semana, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão em Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Dois professores suspeitos de resolver provas para candidatos foram presos. O delegado-geral de Alagoas foi alvo de busca e apreensão.

Outro caso investigado é o de uma candidata, Larissa Saraiva Alencar, que ficou em primeiro lugar no concurso para auditora fiscal do trabalho. Segundo a PF, o marido dela, delegado em Pernambuco, teria pago pela sua aprovação. Ela continua trabalhando como auditora.

As defesas dos investigados Antônio Limeira das Neves e Larissa de Oliveira Neves negam as acusações ou afirmam que ainda não há denúncia formal. Thyago José e Laís dizem que não fazem parte de nenhuma organização criminosa e que são inocentes.

A fundação responsável pela organização do concurso diz que também é vítima das fraudes.

Os outros não conversaram com a reportagem. Os investigados podem responder por crimes como fraude em concurso público, organização criminosa e concussão.

/G1 com Fantástico

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