A Mostra Sesc de Cinema chega à sua nona edição com 52 filmes selecionados entre os mais de 1.900 inscritos de todo o país. Desses, 21 filmes compõem o Panorama Brasil, 10 integram o Panorama Infantojuvenil e outros 21 fazem parte dos Panoramas Estaduais. Ao todo, o projeto destinará até R$ 222 mil em licenciamentos. As obras passam, agora, a integrar a programação do Sesc e serão exibidas ao longo dos próximos 12 meses em diferentes cidades brasileiras. A lista completa dos selecionados será divulgada a partir de 1º de julho, no link.
Voltada à promoção do cinema independente, a MSDC se consolida como um espaço de circulação para produções que, muitas vezes, encontram poucas oportunidades de exibição fora de festivais.
“A Mostra Sesc de Cinema se consolidou como uma importante janela de exibição para realizadores de todas as regiões do país. Ao promover essa circulação e aproximar as obras do público, o projeto contribui para fortalecer o audiovisual brasileiro, ampliar o acesso à cultura e fortalecer um setor que gera emprego, renda e desenvolve o país”, afirma Leonardo Minervini, gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc.
Entre os filmes selecionados, 23 obras são inéditas e serão lançadas durante a programação do projeto, além disso, 45 filmes contam com recursos de acessibilidade como legendas, audiodescrição e Libras. Outro aspecto relevante é a expressiva presença de direções compartilhadas, com filmes assinados por duplas e coletivos, prática que reforça a dimensão colaborativa e descentralizada da produção audiovisual brasileira contemporânea.
Panoramas e narrativas
No Panorama Brasil, os títulos selecionados evidenciam uma forte conexão entre cinema, identidade e território. Obras como “Uma estrada que corta o território do Xerente” e “Mercado Central” apontam para uma cartografia sensível do país, valorizando contextos locais e modos de vida específicos. Ao mesmo tempo, filmes como “Frete Grátis para todo o Norte, exceto para o Brasil” tensionam criticamente as relações entre centro e periferia, ampliando o debate sobre pertencimento e desigualdade regional.
Outro aspecto marcante é a presença de narrativas que dialogam com a ancestralidade e os saberes tradicionais, como em “Pai Pote, o filho de Ogum” e “Ancestralidade, Presente”, refletindo o protagonismo de cosmovisões afro-brasileiras e indígenas no audiovisual contemporâneo. Esses elementos coexistem com abordagens que tratam o próprio cinema como campo de reflexão, a exemplo de “Minha religião é o Cinema”, “Amuleto” e “Divino: sua alma, sua lente”, nos quais o fazer cinematográfico surge como experiência estética, espiritual e política.
A dimensão subjetiva também se destaca, com filmes que exploram afetos e processos de transformação, como “O que faço com isso agora que acabou?” e “Ausente”, revelando uma produção autoral voltada à introspecção e à construção de sentidos individuais. Paralelamente, cultura urbana, raça e pertencimento são narrativas abordadas em filmes como “Nação Hip Hop: cultura de rua” e “Destino da pele”.
No Panorama Infantojuvenil, pela primeira vez, seis estudantes do LABmais, projeto do Sesc voltado para as juventudes, foram selecionados para participar da curadoria, com encontros acompanhados pela monitora do laboratório. Os jovens, entre 14 e 15 anos, contribuíram com seus pontos de vista na seleção das obras, trazendo para o processo o olhar de quem também é público dessas produções.
Nesse panorama, a Mostra aposta em narrativas que dialogam com o imaginário, o cotidiano e os desafios das novas gerações. Elementos do folclore e da fantasia marcam presença em filmes como “Guardiões da Cobra Grande” e “Pé de Garrafa”, reafirmando a potência das histórias tradicionais como pontes de aproximação com o público jovem. A presença de diretores indígenas também é um destaque, em obras como “Guardiões da Cobra Grande” e “Medo de cachorro”. Já as temáticas contemporâneas, como tecnologia e futuro, ampliam o diálogo com o público jovem, como em “Hacker Leonilia” e “Ecos do Amanhã”.
No Panorama Estadual, a circulação começa pelos territórios de origem antes de ganhar o circuito nacional. Entre os destaques, o Panorama de Santa Catarina reúne sete filmes dirigidos por mulheres, sinalizando a crescente presença feminina em funções de direção no audiovisual brasileiro.
A MSDC
Lançada em 2017, a Mostra Sesc de Cinema se consolida como um dos principais canais de incentivo e fomento ao cinema independente do país. O projeto reúne produções que não conseguem encontrar espaço nos circuitos comerciais, dando visibilidade à produção cinematográfica brasileira e contribuindo para a promoção de novos talentos no setor de audiovisual. A mostra também conta com ações formativas, como workshops, rodas de conversa, oficinas, debates.














