Em celebração ao Dia Nacional do Maracatu, os oito grupos de Alagoas se reúnem, neste sábado, 1º de agosto, para um cortejo pelas ruas do bairro do Jaraguá, em Maceió. A programação é gratuita e começa às 17h, na Praça Dois Leões, com apresentações dos grupos. Em seguida, os batuqueiros seguem pelas ruas do bairro até a Associação Comercial.
Realizado pelo segundo ano consecutivo, o evento tem como novidade a organização coletiva das dirigências dos grupos de maracatu do estado, em parceria com o movimento Tambores do Jaraguá. A construção conjunta reforça a união entre os grupos e o compromisso com a preservação e o fortalecimento dessa manifestação da cultura popular em Alagoas.
“A construção coletiva é um passo importante porque coloca todos os grupos no centro das decisões e faz com que o cortejo represente diferentes experiências, trajetórias e formas de fazer maracatu em Alagoas. Quando cada grupo contribui com suas ideias e vivências, fortalecemos não apenas o evento, mas também os vínculos entre quem mantém essa manifestação cultural viva”, explica Louise Amelie, coordenadora do Cambinda Nova de Alagoas.
“Nesse segundo ano em que comemoramos o Dia Nacional do Maracatu, celebramos a memória daqueles que nos antecederam na história e também a coletividade que deu forma ao evento, um espaço de união e acolhimento de todos aqueles que compõem os oito grupos do estado e simpatizantes dessa expressão cultural”, afirma o coordenador do Maracatu Baque Alagoano, Hélton Walner.
Participam do cortejo Nação Acorte de Alagoas, Coletivo Afrocaeté, Baque Mulher, Maracatu Yá Dandara, Maracatu Baque Alagoano, Coletivo Maracatod@s, Maracatu Cambinda Nova de Alagoas e Maracatu Baque Novaurora.
O cortejo é aberto a todos: quem já toca pode levar seu instrumento, enquanto quem não toca está convidado a caminhar, cantar e dançar ao som dos tambores pelas ruas do Jaraguá.
Dia Nacional do Maracatu
Instituído pela Lei nº 15.018/2024, o Dia Nacional do Maracatu é celebrado em 1º de agosto. A data homenageia Mestre Luiz de França, que nasceu nesse dia e esteve à frente do Maracatu Leão Coroado, de Pernambuco, durante 40 anos.
A criação da data no calendário nacional reconhece a importância do maracatu para a cultura brasileira e contribui para a valorização e a continuidade dessa tradição.
Maracatu em Alagoas
A história do maracatu em Alagoas está ligada às manifestações culturais de origem africana e à presença da população negra na formação social do estado. Embora não haja consenso sobre o período exato de seu surgimento, jornais do século XIX e do início do século XX já registravam sua presença no carnaval de rua e sua relação com os terreiros.
Essa trajetória foi profundamente afetada pelo Quebra de 1912, episódio de perseguição e violência contra terreiros e manifestações de matriz africana em Maceió e municípios vizinhos. De acordo com estudos sobre o tema, o episódio e as perseguições ocorridas posteriormente contribuíram para o desaparecimento dos grupos das ruas e do carnaval alagoano durante décadas.
No início do século XXI, o maracatu voltou a ganhar espaço no cenário cultural do estado. Esse movimento se fortaleceu a partir de 2007, com a realização de uma oficina conduzida pelo percussionista Wilson Santos e a formação do Maracatu Baque Alagoano. Nos anos seguintes, outros coletivos surgiram e ampliaram a presença da manifestação nas ruas, praças e atividades culturais de Alagoas.
Serviço
Cortejo do Dia Nacional do Maracatu
Data: 1º de agosto, a partir das 17h
Concentração: Praça Dois Leões, no Jaraguá
Percurso: da Praça Dois Leões até a Associação Comercial de Maceió
Gratuito e aberto ao público
/Assessoria














