O PSB oficializou nesta quarta-feira (29), durante convenção nacional realizada em Brasília, a candidatura do vice-presidente Geraldo Alckmin à reeleição na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido também formalizou a adesão à coligação formada pela federação PT-PCdoB-PV, pela federação Psol-Rede e pelo PDT.
Segundo Alckmin, a recondução da chapa representa um desafio ainda maior do que o enfrentado no início do atual mandato. “Aumentou a minha responsabilidade para estar à altura da confiança de vocês, à altura da responsabilidade para estar junto ao presidente Lula. Fico honrado por esta caminhada cívica que vamos ter pela frente”, declarou.
O vice-presidente relembrou o cenário encontrado pelo governo em 2023 e fez críticas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. “O presidente Lula recebeu um governo que não tinha dinheiro nem para pagar o Bolsa Família. (…) Um governo que deu, só de calote de precatórios, R$ 80 bilhões de calote. Um governo que tirou o ICMS à força na época da guerra da Ucrânia, sem consultar os governadores”, apontou.
Sem mencionar Bolsonaro nominalmente, Alckmin também criticou a tentativa de golpe pelo ex-presidente após as eleições de 2022. “Não é possível falar em liberdade como no segundo turno da última eleição, utilizando o aparato do Estado para impedir as pessoas de votarem legitimamente e tentando impedir a eleição, propondo a derrubada de governo eleito”, disse.
Ao defender a continuidade da atual gestão, o vice-presidente destacou resultados colhidos pelo governo. “Melhorou o PIB, melhorou a renda, melhorou o emprego, [aprovamos] a reforma tributária, reforma estruturante, fundamental para o Brasil poder crescer mais. (…). Enfim, onde a gente pensar, a gente vai ver que nós avançamos, caminhamos, crescemos e melhoramos.”
Chapa segura
Ao comentar a manutenção da aliança, o presidente Lula ressaltou a confiança que deposita em Alckmin. “O Alckmin é aquela garantia que todo mundo precisa. É aquela pessoa que você pode deitar com a certeza absoluta de que ele está trabalhando para que as coisas deem certo no país.”
Lula acrescentou que, com Alckmin na Vice-Presidência, “nunca vai pensar que vai dormir e vai ter um golpe no dia seguinte”, porque “o Alckmin, antes de tudo, é um homem de muita lealdade, de muita capacidade de trabalho e de muita honestidade”.
A referência à lealdade do vice remete à crise política enfrentada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2015. Eleita em 2014 tendo Michel Temer (MDB) como vice-presidente, Dilma viu o então aliado romper com o governo e apoiar o processo de impeachment que resultou em seu afastamento do cargo e cassação.
Aliança improvável
Embora PT e PSB sejam aliados históricos, a composição da chapa Lula-Alckmin em 2022 foi uma união improvável. Durante a maior parte de sua trajetória política, Alckmin integrou o PSDB, partido que fez oposição a todos os governos petistas.
Lula e Alckmin disputaram diretamente a Presidência da República em 2006, quando chegaram ao segundo turno. Em 2018, o então tucano voltou a concorrer ao Palácio do Planalto, enquanto o PT lançou Fernando Haddad. Naquela eleição, o segundo turno acabou sendo disputado entre Haddad e Jair Bolsonaro, então filiado ao PSL.
Em 2021, Geraldo Alckmin desembarcou do PSDB, e começou a se aproximar de Lula. Em março do ano seguinte, filiou-se ao PSB e foi confirmado como vice.
/Congresso em Foco














