Da Redação
Após receber recursos públicos para a realização de festas privadas, a Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL) promove um workshop voltado a jornalistas para discutir comunicação responsável. A atividade pretende abordar temas relacionados à atuação da imprensa e à responsabilidade na divulgação de informações.
A iniciativa ocorre enquanto a própria OAB/AL enfrenta questionamentos sobre transparência e uso de recursos públicos, após receber verbas da Prefeitura de Maceió para a realização do chamado “São João da OAB”. Em 2024, foram destinados R$ 280 mil ao evento. Já em 2025, o repasse municipal chegou a R$ 400 mil. Os recursos foram destinados por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC).
A festa de 2024 contou com atrações como Dorgival Dantas e Walkyria Santos. A cantora Millane Hora, atual primeira-dama de Maceió e esposa do prefeito Rodrigo Cunha, também participou do evento. Na ocasião, o então prefeito JHC e Rodrigo Cunha foram citados durante a programação.
Em 2025, o novo repasse de R$ 400 mil foi questionado pelo Ministério Público de Alagoas. A promotora responsável pela ação apontou questionamentos sobre a utilização de dinheiro público em um evento de acesso restrito à advocacia e pediu que a Prefeitura não destinasse recursos municipais para novas edições do São João da OAB.
O caso também provocou uma reação entre advogados. Em junho de 2025, profissionais avaliaram ingressar na Justiça para cobrar esclarecimentos e prestação de contas sobre os valores recebidos pela OAB/AL para a realização das festas.
Somados, os repasses de 2024 e 2025 chegaram a R$ 680 mil.
Para o MPAL, não há como justificar o uso de dinheiro público para financiar um evento privado da OAB, enquanto o próprio município já realiza, com altos investimentos, um São João público, aberto e gratuito, voltado à coletividade.
O MP afirmou ainda que patrocinar eventos pagos, sem contrapartidas reais de democratização do acesso, representa privilégio a um grupo social específico, em detrimento da população em geral, o que fere os princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade














