A disputa pelo Governo de Alagoas ganhou um novo campo de batalha: os tribunais. Em apenas dois dias, a Coligação Alagoas Gigante, que reúne partidos do grupo de JHC, apresentou duas novas ações no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) contra veículos de comunicação, jornalistas e perfis que publicaram conteúdos relacionados à eleição.
Uma das ações tem como alvo a Editora Novo Extra e solicita direito de resposta e retirada de conteúdo. A outra reúne 17 veículos, jornalistas, sites e perfis, com pedidos de remoção de publicações, aplicação de multa e tutela de urgência.
Na relação estão Novo Extra, Jornal de AL, MuriciWeb, Pense Alagoano, Aqui Acontece, Boa Informação, Papo Alagoas, Atalaia na Hora, BiuPovão e O Regional 247, além de emissora de rádio e outros responsáveis por conteúdos divulgados nas redes sociais.
As novas ações ocorrem em meio a um levantamento que aponta cerca de 150 processos envolvendo jornalistas durante a pré-campanha e a campanha, alcançando aproximadamente 30 veículos. O dado, contudo, está relacionado a ações movidas pela Federação PSDB/Cidadania, que integra a atual coligação, e não deve ser atribuído diretamente às duas novas ações apresentadas agora.
O episódio ocorre poucos dias depois de o Novo Extra ter um vídeo retirado do Instagram por decisão judicial provocada por ação da coligação. O conteúdo reproduzia declarações de Renan Filho sobre JHC feitas durante um ato político.
A coligação afirma que suas iniciativas não têm como objetivo limitar a liberdade de imprensa, mas contestar conteúdos que considera irregulares. Ainda assim, a sequência de medidas judiciais abre espaço para uma discussão que vai além de cada processo: qual é o limite entre combater uma informação considerada irregular e criar pressão sobre quem trabalha com jornalismo?
Os processos ainda estão em andamento e os representados terão direito à defesa. A palavra final caberá à Justiça Eleitoral.
O que está em discussão, portanto, não é o direito de qualquer candidato recorrer aos tribunais, mas o efeito de uma estratégia de judicialização recorrente sobre a imprensa em pleno período eleitoral.
Porque uma eleição democrática precisa de candidatos com direito de resposta — mas também de jornalistas livres para fazer perguntas, publicar informações e produzir manchetes que nem sempre agradam aos candidatos.














