Definir os limites do que é esquerda enquanto campo político é uma tarefa difícil. Ao mesmo tempo, é relativamente fácil perceber que a esquerda é extremamente sub representada nos espaços de poder em Alagoas.
Desde Heloísa Helena, eleita senadora pelo PT em 1998, a esquerda não consegue emplacar quadros campeões de votos para cargos majoritários no estado, excetuando Ronaldo Lessa, se quisermos fazer um alargamento conceitual do que é esquerda. Mesmo nas Casas Legislativas, a dificuldade em ampliar a bancada progressista permanece.
Desta vez, porém, há algo novo acontecendo. Teca Nelma, vereadora de Maceió, filiada ao PT a convite do presidente Lula e candidata a deputada estadual, tem conseguido reunir em torno de seu nome apoios amplos dentro do campo progressista. Para além de uma parcela significativa dos grupos internos do PT, as chamadas tendências, Teca também tem recebido apoios públicos do PCdoB e de personalidades históricas do PSOL.
Esse fenômeno pode ser explicado por diversos fatores. Ao longo dos últimos seis anos, Teca construiu um mandato marcado pela representatividade e pela defesa de algumas das principais bandeiras da esquerda brasileira, algo que a Câmara Municipal de Maceió há muito tempo não presenciava. Nesse processo, passou a ser vista por setores da esquerda como uma opção capaz de concentrar votos, tornando se aquilo que se convencionou chamar de “voto útil”.
A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, construiu uma nominata de candidatos a deputado estadual bastante heterogênea. O prognóstico apresentado neste momento aponta cinco nomes em uma disputa mais acirrada por três vagas, Ronaldo Medeiros, Teca Nelma, Marcos Barbosa, Breno Albuquerque e Sílvio Camelo.
Dos cinco nomes apresentados, quatro são deputados estaduais em busca da reeleição. Teca é a única candidata do PT que não ocupa atualmente uma cadeira na Assembleia Legislativa com chances reais de vitória.
Além do aspecto da renovação, existe outro elemento que pesa na discussão dentro da esquerda. Entre os quatro deputados que buscam a reeleição, há parlamentares cuja atuação política não corresponde, na avaliação de setores do eleitorado progressista, às expectativas ideológicas tradicionalmente associadas ao campo da esquerda. Há, inclusive, entre eles, quem manifeste apoio direto a nomes ligados ao bolsonarismo.
É nesse contexto que parte da esquerda alagoana enxerga em Teca não apenas a possibilidade de eleger uma nova representante para a Assembleia Legislativa, mas também de ampliar a presença de um mandato identificado com as pautas progressistas.
Para esses setores, a candidatura de Teca representa, ao mesmo tempo, uma possibilidade de renovação e uma forma de fortalecer uma representação política mais alinhada aos ideais históricos da esquerda.
Do ponto de vista desse campo político, portanto, Teca Nelma passou a ocupar um espaço que vai além de sua própria candidatura. Ela se apresenta como uma alternativa capaz de reunir diferentes setores da esquerda em torno de um mesmo projeto e, nesse cenário, tornou se o chamado “voto útil” para a Assembleia Legislativa de Alagoas.
/Assessoria














