João Henrique Caldas (PSDB) foi mais uma vez criticado pela perseguição implacável contra a imprensa alagoana. O assédio judicial promovido reiteradamente pelo candidato foi exposto por Renan Filho (MDB) durante ato eleitoral ao lado do presidente Lula, na noite da última quinta-feira (24), no Centro de Maceió.
“Eu ouvi o senhor falando na ONU agora, presidente, em defesa da liberdade de imprensa. Aqui, o outro candidato processou mais de uma centena de jornalistas”, revelou o ex-governador.
Com intuito de tornar a sigla intocável, a estratégia de JHC teve como resultado um recorde indigesto “como sujeito da política que moveu o maior número de processos contra a imprensa brasileira em todos os tempos da política nacional”, apontou Renan Filho.
Os números são de fato alarmantes. JHC e seus aliados (como a Federação PSDB/Cidadania e a coligação Alagoas Gigante) acumulam mais de 180 ações judiciais e procedimentos contra jornalistas, blogs e veículos de comunicação no estado. Para se ter uma ideia, um dos maiores algozes da imprensa no país, o empresário Luciano Hang, já acumulou mais de 50 processos individuais simultâneos contra jornalistas e veículos. O volume de JHC é quase quatro vezes maior.
De olho nos abusos, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) classificou as decisões de recolhimento de jornais e censura prévia como graves violações à liberdade de imprensa.
“Por que ele move processos, primeira-dama?”, perguntou o emedebista a Janja da Silva, companheira de Lula. “A senhora falou aí que o Banco Master desviou dinheiro de pensionistas e de aposentados do Rio, do Amapá, mas o maior desvio desses recursos entre todas as prefeituras foi a prefeitura de Maceió na administração de JHC. Foram R$ 100 milhões dos aposentados e pensionistas de Alagoas que foram aplicados no Banco Master e perdidos”.
O caso Iprev/Banco Master citado por Renan Filho é um dos principais gatilhos para abertura de processos de JHC contra os jornalistas alagoanos que estão, na verdade, apenas cumprindo seu ofício profissional num país democrático.
Além da enxurrada abusiva de processos movidos contra jornalistas e veículos de comunicação, a ofensiva do candidato chegou ao ponto de apresentar uma ação na Justiça Eleitoral para tentar derrubar publicações que abordavam a perseguição de JHC contra a imprensa. Em um dos casos, o motivo foi a reprovação da imagem que ilustrava o texto. Foi pior. O tiro saiu pela culatra: o tucano saiu mal na foto duas vezes.
O desrespeito à imprensa alagoana também se reflete no comportamento omisso de João Henrique Caldas ao fugir de debates e sabatinas promovidos pelas emissoras locais de rádio e TV. “Recentemente, presidente, ele foi a um debate comigo, só teve coragem de ir a um, depois fugiu de todos os debates, não dá entrevista, tem medo do ambiente não controlado”, comentou Renan Filho, em fala direcionada ao presidente.
O descaso de JHC com os profissionais de comunicação e toda estrutura montada para o exercício democrático termina por atingir em cheio o eleitor, que fica sem a oportunidade de conhecer melhor as propostas, o perfil do candidato e sua capacidade de argumentação diante do contraditório.















