Um estudo realizado com 1.158 adultos que apresentavam sintomas de insônia identificou que 60% dos participantes faziam uso de medicamentos para dormir. O levantamento, conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), também mostrou que cerca de quatro em cada dez entrevistados recorriam a esses medicamentos de cinco a sete noites por semana. O zolpidem foi o mais citado, seguido pelos benzodiazepínicos e antidepressivos sedativos.
Em Alagoas, o problema ganha um recorte ainda mais preocupante. Dados do Vigitel, do Ministério da Saúde, divulgados em 2026, apontam que Maceió lidera entre as capitais brasileiras em indicadores relacionados ao sono: 38% dos adultos relataram sintomas de insônia, percentual que chega a 45,6% entre as mulheres. No consultório, Amanda Lira, otorrinolaringologista da Unimed Maceió e especialista em qualidade do sono, atende pacientes que relatam dificuldade para adormecer, despertares frequentes durante a noite e a sensação de acordar sem ter descansado.
“A má qualidade do sono acaba repercutindo nas atividades do dia a dia, impactando a saúde física, mental e qualidade de vida. Isso acaba levando as pessoas a tomarem medicação para dormir de forma inadequada ou sem acompanhamento médico especializado”, afirma a especialista.
Rotina noturna – A mudança de hábito é a primeira orientação a ser seguida para melhorar a performance na hora de dormir, antes de partir para o uso de medicações. Entre os fatores que mais fazem diferença para a chamada “higiene do sono”, a médica destaca a luminosidade como um dos principais estímulos capazes de manter o sistema nervoso central em estado de alerta.
“A luz produz substâncias relacionadas ao estado de alerta, como noradrenalina e cortisol, e suprime a produção de melatonina, o indutor natural do sono. Por isso, ao utilizar equipamentos com estímulo fotoluminoso à noite – como celular, televisão, computador, dentre outros -, estamos enviando uma mensagem ao cérebro para se manter acordado, o que acaba dificultando a chegada do sono ou a manutenção adequada dele”, diz.
Evitar o consumo de cafeína próximo ao horário de dormir e manter o quarto silencioso, também tende a ajudar o corpo a relaxar e favorece uma boa noite de sono. “Alguns tipos de chás como camomila, melissa, e mulungu, quando ingeridos à noite, podem ajudar a dormir melhor, pois alguns são fontes de triptofano e magnésio, o que influencia na síntese da melatonina endógena, ou geram um efeito de relaxamento para o corpo”, diz.
Saber como e quanto se alimentar e praticar exercícios físicos também é fundamental, por isso, a médica alerta: o melhor horário para se exercitar é pela manhã, sinalizando o corpo a manter-se ativo e acordado. “Em relação à alimentação, refeições fartas à noite podem atrapalhar a qualidade do sono, já que mantêm o organismo em atividade por mais tempo, além de favorecer episódios de refluxo durante a madrugada”, explica.
O tratamento da insônia consiste em ajudar o paciente a reorganizar os seus hábitos diurnos que vão favorecer o sono à noite. Segundo a especialista, os medicamentos para dormir devem ser coadjuvantes, mas sempre com orientação médica.
Uso sem prescrição – O levantamento também chama atenção para o uso de medicamentos sem acompanhamento profissional. Entre os participantes que relataram tomar algum remédio para dormir, 40% afirmaram utilizá-lo sem prescrição médica. O dado amplia o alerta sobre a automedicação, especialmente diante da frequência de uso identificada pela pesquisa, em que parte dos entrevistados relatou recorrer a essas substâncias de cinco a sete noites por semana.
“Quando surgir a dificuldade para iniciar ou manter o sono, gerando sintomas diurnos como cansaço e sonolência, falta de disposição, alterações do humor, da concentração e memória, é imprescindível procurar ajuda médica especializada para se fazer o diagnóstico e instituir as medidas terapêuticas que vão ajudar o paciente”, alerta.
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