Por Hemilly Souza
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) publicou, nesta sexta-feira (9), uma nota de esclarecimento sobre os ataques de simpatizantes do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) contra estudantes do Campus Arapiraca, ocorridos na noite da quinta-feira (8).
Segundo relatos de estudantes, um grupo de aproximadamente dez homens chegou ao campus em duas caminhonetes com adesivos de campanha de Flávio e abordou, de maneira agressiva e com insultos, integrantes da comunidade acadêmica que preparavam cartazes no local.
Em nota, a gestão da Ufal afirmou que acionou os órgãos públicos de segurança para averiguar o caso e prestou apoio às vítimas. “Total apoio e solidariedade à docente e aos estudantes que sofreram insultos e agressões verbais dentro da unidade em Arapiraca, além de rechaçar qualquer tipo de intimidação em relação aos atos organizados pelo movimento estudantil no Campus A.C. Simões, em Maceió”, diz um trecho.
A administração também destacou a preocupação com as ameaças dentro das instituições de ensino. “A gestão vê com muita preocupação esse tipo de intervenção de agentes públicos ou quaisquer outras pessoas, que não têm o direito de entrar em uma instituição pública e ameaçar a comunidade acadêmica. O espaço universitário é plural, diverso e democrático e deve ser respeitado”.
Ainda nesta sexta-feira, a diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal) publicou uma nota de repúdio ao ataque ocorrido no Campus Arapiraca e afirmou que não permitirá que “a violência política e o autoritarismo sejam utilizados para silenciar a comunidade acadêmica, impedir manifestações críticas ou constranger trabalhadoras e trabalhadores no exercício de suas atividades”.
A Adufal lembrou ainda que a Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade de expressão e informou que acionará a Polícia Federal (PF) para investigar os ataques. “Nesta sexta-feira, 9 de outubro, a Associação protocolará junto à Polícia Federal (PF) um pedido de investigação dos fatos, para que as circunstâncias do caso sejam devidamente apuradas e as medidas legais sejam adotadas”.
Confira as notas na íntegra:
A Diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas (Adufal) vem, por meio desta nota, expressar irrestrita solidariedade à comunidade acadêmica do Campus Arapiraca e veemente repúdio à tentativa de coação e intimidação promovida por um grupo bolsonarista na noite desta quinta-feira (8), na sede do campus, no município de Arapiraca.
Segundo relatos de estudantes e docentes, cerca de oito homens entraram na unidade de ensino em dois veículos plotados com imagens de Flávio Bolsonaro e passaram a coagir e intimidar uma docente, afirmando que iriam retirar os cartazes afixados por estudantes em espaços da unidade.
O episódio foi um claro ataque à liberdade de expressão, à organização estudantil e à autonomia universitária. Não aceitaremos que a violência política e o autoritarismo sejam utilizados para silenciar a comunidade acadêmica, impedir manifestações críticas ou constranger trabalhadoras e trabalhadores no exercício de suas atividades.
A Constituição Federal (CF) de 1988 assegura, em seu artigo 5º, inciso IV, a livre manifestação do pensamento, e, no inciso IX, estabelece que é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação. Além disso, o artigo 206, inciso II, também consagra a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber como princípios do ensino. Tudo isso reforça que a universidade pública deve ser um espaço de pluralidade, pensamento crítico, produção do conhecimento e debate democrático, livre de ameaças e constrangimentos.
Por todo o ocorrido, a Adufal exige que a gestão da Ufal adote as providências cabíveis, especialmente para garantir a segurança da comunidade acadêmica e assegurar que situações dessa natureza não se repitam.
Ainda nesta sexta-feira, 9 de outubro, a Associação protocolará junto à Polícia Federal (PF) um pedido de investigação dos fatos, para que as circunstâncias do caso sejam devidamente apuradas e as medidas legais sejam adotadas.
Por fim, manifestamos nossa solidariedade aos docentes, estudantes e técnicos do Campus Arapiraca, em especial à professora diretamente intimidada, a quem expressamos nosso apoio e colocamos a Adufal à disposição. Nenhuma trabalhadora ou trabalhador deve ser submetido à coação, à ameaça ou à violência por exercer sua atividade profissional ou defender suas ideias.
O ódio e a violência são o legado do bolsonarismo, que validou e instrumentalizou o ressentimento, o antagonismo e a hostilidade como método e estratégia de mobilização política. Mas não permitiremos que a universidade pública seja usada como território de intimidação.
Diante do avanço do autoritarismo e do discurso de ódio, reafirmamos nosso compromisso com a defesa da educação pública, gratuita, laica, democrática e socialmente referenciada. Não nos calarão diante da violência. A universidade é e sempre será espaço de liberdade, diversidade e resistência democrática.
Maceió, 9 de outubro de 2026
Diretoria da Associação dos Docentes da Ufal (Adufal)














