O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em fevereiro deste ano. O tumor representa 30% dos novos diagnósticos de câncer entre mulheres no país, excluídos os de pele não melanoma. Neste Outubro Rosa, um dos fatores de risco que merece atenção é o excesso de gordura corporal, especialmente após a menopausa, período em que alterações hormonais podem favorecer o desenvolvimento da doença.
A médica nutróloga Eline Soriano explica que o tecido adiposo não funciona apenas como reserva de energia. Ele participa da produção de hormônios e de substâncias inflamatórias que interferem no metabolismo. Após a menopausa, quando os ovários reduzem significativamente a produção de estrogênios, a gordura corporal passa a ter maior participação na produção periférica desses hormônios, associados ao desenvolvimento de determinados tipos de câncer de mama.
“Depois da menopausa, o excesso de gordura pode contribuir para uma maior exposição do organismo aos estrogênios. Também pode favorecer inflamação crônica de baixo grau e resistência à insulina, alterações que participam de mecanismos relacionados ao desenvolvimento de alguns tumores. Por isso, a composição corporal merece atenção na avaliação da saúde da mulher”, explica Eline.
A relação é reconhecida pelo próprio INCA, que, em publicação sobre peso corporal atualizada em janeiro de 2026, inclui o sobrepeso, a obesidade e o ganho de peso na vida adulta entre os fatores associados ao câncer de mama na pós-menopausa. Isso não significa, porém, que toda mulher com obesidade desenvolverá a doença ou que o peso seja sua única causa.
Prevenção – Na avaliação da nutróloga, o cuidado deve considerar não apenas os quilos registrados na balança, mas também a distribuição de gordura corporal, os hábitos alimentares, a prática de atividade física e as condições metabólicas. O consumo de álcool, por sua vez, é outro fator associado ao risco de câncer de mama.
“Uma mulher pode apresentar alterações metabólicas mesmo sem perceber grandes mudanças no peso. Avaliar a composição corporal, a glicemia, o histórico clínico e os hábitos permite identificar situações que precisam de acompanhamento. O objetivo não é buscar um padrão estético, mas cuidar de fatores que podem comprometer a saúde ao longo do tempo”, orienta.
Alimentação adequada, atividade física regular, redução do consumo de álcool e manutenção de uma composição corporal saudável integram as medidas de redução de risco. Esses cuidados não substituem o acompanhamento ginecológico, os exames de rastreamento indicados nem a investigação de alterações suspeitas nas mamas.
“A prevenção não oferece garantia de que o câncer não vai aparecer. Existem fatores genéticos, hormonais e relacionados à idade que também precisam ser considerados. O que podemos fazer é atuar sobre os riscos modificáveis e acompanhar a saúde de forma individualizada”, finaliza Eline Soriano.
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