Apesar de frequentemente associadas ao público masculino, as doenças cardiovasculares são hoje a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil, superando o câncer de mama. Levantamento inédito da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), com dados do Portal da Transparência da Arpen-Brasil, mostra alta nas mortes por infarto entre mulheres jovens: 22% na faixa de 20 a 29 anos, 27% entre 30 e 39 anos e 25,3% entre 40 e 49 anos, todas na comparação entre 2020 e 2021.
Um dos fatores que ajuda a explicar esse cenário é o reconhecimento tardio dos sintomas. Além do quadro clássico de dor no peito, as mulheres também apresentam com maior frequência sinais menos associados ao coração, como cansaço intenso ou fora do habitual, sensação de indigestão, tontura, desconforto nos ombros, costas, pescoço, mandíbula, ou parte superior do abdômen.
Constantemente, esses sinais são atribuídos a ansiedade, refluxo ou estresse de trabalho, o que pode atrasar na busca por atendimento, justamente quando cada minuto é importante. Como reflexo, as mulheres têm mais chances de morrer após um infarto do que os homens da mesma idade.
Segundo Clarissa Oliveira, médica cardiologista da Unimed Maceió, o corpo costuma dar avisos prévios de que algo não está bem. Não há uma maneira de fazer o diagnóstico em casa, mas sintomas novos, persistentes ou claramente fora do habitual que surgem de maneira súbita são motivos para procurar uma avaliação profissional.
“Se a mulher pensa ‘isso não é normal para mim’, principalmente se houver vários desses sintomas associados, não deve esperar para ver se passa. Na suspeita de infarto, a orientação é procurar atendimento de emergência imediatamente”, reforça a médica.
Além dos fatores de risco tradicionais, existem marcadores de saúde da própria mulher que podem passar despercebidos. Pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e perdas gestacionais recorrentes funcionam, segundo a médica, como fatores agravantes do risco cardiovascular. Menopausa precoce, antes dos 40-45 anos, e a síndrome ovariana metabólica poliendócrina (antiga síndrome dos ovários policísticos) completam esse grupo de alertas.
Diante desse cenário, a Unimed Maceió reforça a importância do acompanhamento preventivo como principal estratégia de proteção da saúde do coração das mulheres. Mais do que uma bateria isolada de exames, o essencial é uma boa avaliação de risco.
“A prevenção cardiovascular começa muito mais pela identificação e pelo tratamento precoce dos fatores de risco do que por exames de imagem isolados”, afirma Dra. Clarissa.
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