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Pandemia adia projeto de Central de VAR no Brasil e testes só acontecerão em 2021

7 de julho de 2020
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Pandemia adia projeto de Central de VAR no Brasil e testes só acontecerão em 2021

Foto: Douglas Magno / BP Filmes

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Ficou para 2021 o projeto que é a menina dos olhos da arbitragem brasileira atualmente: concentrar num único espaço o trabalho da equipe de árbitros de vídeo no país. A crise provocada pela pandemia do novo coronavírus obrigou a entidade a refazer a programação. Projeta-se agora que a fase de testes só seja iniciada na próxima temporada.

A intenção inicial, em planejamento anunciado ainda no final do ano passado, era implantar ao longo de 2020 a rede de fibra ótica nos estádios brasileiros que levaria o sinal dos jogos para uma central de vídeo a ser instalada no Rio de Janeiro. As equipes de arbitragem do VAR, que atualmente ficam em cabines nos estádios, passariam a atuar neste local.

Pelo projeto original, a CBF vai instalar redes de fibra ótica nos estádios que receberão jogos da Série A e construirá a Central de Árbitro de Vídeo num prédio vizinho à CBF, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. A central terá dez cabines, o que possibilita a operação de árbitro de vídeo em até dez jogos simultaneamente.

– Hoje o projeto está parado. A nossa intenção era testar a centralização ao longo do Brasileirão deste ano para implantar o uso definitivamente na edição de 2021. Mas a pandemia atrasou tudo. Porque fizemos investimento em equipamentos eletrônicos e todos são feitos fora do Brasil. Mas as fábricas pararam a produção e a importação está prejudicada pela crise – detalha o chefe de arbitragem da CBF, Leonardo Gaciba.

Os problemas com importação afetam até a produção de uniformes da arbitragem. O fornecedor que confecciona as roupas dos árbitros brasileiros fica na China e já avisou a CBF que a remessa só chegará no mês de setembro. De acordo com a previsão da entidade, a Série A do Brasileirão já terá sido iniciada.

A pandemia não atrapalhou o primeiro teste da Central de Árbitro de Vídeo no país, realizado antes da interrupção dos campeonatos. Em 16 de fevereiro, na final da Supercopa do Brasil, entre Flamengo e Athletico, a operação do VAR foi remota. A equipe de vídeo não estava no estádio Mané Garrincha, em Brasília, local do jogo, vencido pelo Flamengo por 3 x 0, mas na sede da CBF, no Rio.

A final da Supercopa foi o primeiro jogo na América do Sul com central de VAR remota. A CBF investiu R$ 200 mil para instalar fibra ótica no Mané Garrincha, o que será feito em todos os estádios utilizados na Série A.

– Isso não é simples. São em média três meses pra conseguir o licenciamento pra instalar a rede e passar a fibra ótica nos estádios. Projetamos um custo de aluguel de fibra ótica no país em torno de R$ 300 mil por mês, fora o investimento na estrutura da central. Isso já está no orçamento. Só que agora estamos de mãos atadas – explica Gaciba.

Com o novo modelo, a equipe de arbitragem do VAR, formada em média por cinco pessoas (árbitro de vídeo central, assistente, VAR bandeirinha, assessor e operador de replay), deixará as cabines dos estádios para atuar na central. Apenas dois técnicos da empresa inglesa que opera o VAR no Brasil seguirão nos palcos dos jogos.

– O grande ganho não é econômico, é técnico. Com todas as equipes no Rio de Janeiro teremos agilidade em relação à velocidade das decisões da equipe de VAR durante a transmissão. A central também vai permitir que os árbitros treinem mais. Quem treina mais, acerta mais. Outra vantagem é agilizar a avaliação do trabalho dos árbitros de vídeo – completa o diretor de arbitragem da CBF.

Em outros esportes, como o basquete, a NBA (liga profissional dos Estados Unidos) utiliza uma central de replays. Na Rússia, durante a Copa do Mundo de 2018, funcionou uma central de comando dos árbitros de vídeo dentro do Centro Internacional de Transmissão, em Moscou.

No Brasil, o VAR foi implantado oficialmente no ano passado. De acordo com o Radar, programa de análise de arbitragem contratado pela CBF, a quantidade de erros capitais caiu de 188, em 2018, quando não havia o uso da tecnologia, para 36 em 2019. Erros estes enquadrados nas quatro situações onde o protocolo do uso do VAR permite a interferência do árbitro de vídeo: aplicação de cartão vermelho direto, erro de identificação, pênalti e gol.

GE

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