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Padre que morreu com Covid-19 planejava missa para queimar máscaras no fim da pandemia:

11 de dezembro de 2020
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Padre que morreu com Covid-19 planejava missa para queimar máscaras no fim da pandemia:
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Uma missa para queimar máscaras e celebrar o fim da pandemia. Era essa a ideia do padre Francisco Deragil de Souza, de Mogi das Cruzes, morto na última terça-feira (8), aos 53 anos, vítima de uma pneumonia e de complicações da Covid-19.

Infelizmente, ele não verá o fim do coronavírus ser motivo de celebração. Na quarta (9), uma missa em despedida a Francisco reuniu dezenas de fiéis na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Roque, no distrito de Brás Cubas, onde era pároco. Sem a possibilidade de velório, o carro da funerária passou pela igreja e fiéis emocionado se despediram com rosas vermelhas e aplausos.

O enterro foi no cemitério Parque das Oliveiras, na Vila Oliveira, em Mogi.

“Ele falou assim: gente, quando isso passar, vamos cada um trazer a sua máscara e nós vamos fazer uma missa especial para queimar todas, para mostrar que nós vencemos a Covid-19. Infelizmente ele não conseguiu”, lembra José Luiz Felipe Santiago, que é frequentador e faz parte do grupo musical da paróquia.

O religioso foi internado há cerca de 15 dias no Hospital Jardim Helena, em São Miguel Paulista, com um quadro grave de pneumonia. Os primeiros testes para verificar se estava infectado com a Covid-19 deram negativo. O positivo veio no último, realizado na segunda-feira (7), um dia antes de ele morrer.

A ideia de queimar as máscaras surgiu em agosto, quando a igreja realizou festejos pelo Dia de São Roque, padroeiro dos enfermos. Neste ano o tema foi “São Roque, protegei-nos das pestes e pandemias”. Segundo José, o padre esperava pelo fim do coronavírus, porque queria que seus fiéis voltassem à Paróquia sem medo.

Antes de partir, ele viu a morte de outros três amigos da igreja, dois deles por causa do coronavírus, e estava abalado. “Ele tinha que dar força para a comunidade. Por mais que alguns ali não conseguissem entender o que estava acontecendo no mundo ultimamente, ele tentava passar uma esperança. Falava: ‘não desiste’. Até porque esse ano nós tivemos mais três grandes perdas ali”.

José conhecia o padre Francisco desde 2000. Diz que o pároco era como um pai e que na comunidade eles convivam como uma família. A última vez que se viram foi como uma despedida, lembra Santiago. O sacerdote agradeceu e o abençoou.

“Está difícil de engolir. Eu perdi meu pai tem três anos e meio. Ele foi, fez a missa do meu pai. Ontem eu senti como se estivesse perdendo meu pai novamente. Mesma sensação. Era uma pessoa muito querida. Querendo ou não, foi uma vida que nós vivemos com ele”, lamenta.

“No dia 1º de novembro ele veio dar uma benção para mim e para minha esposa, porque a gente estava completando 10 anos de casados. Parece que foi uma despedida dele ali. Ele falou ‘vocês são muito abençoados, vocês sempre nos ajudaram aqui’”, relembra.

Com medo da pandemia, Santiago e a esposa, que é enfermeira, diminuíram a frequência de visitas à igreja. Mesmo assim, mantinham contato com o padre e faziam questão de perguntar se ele estava bem.

Francisco era conhecido pelas missas de cura e libertação, realizadas sempre às quintas-feiras, quando recebia fiéis de diversas regiões.

Para José, ele também será lembrado pela reforma que atuava. Era corajoso e persistiu para que a Paróquia se tornasse maior e mais acolhedora. Ficou como ele queria.

“Foi o único padre que teve coragem de construir aquela igreja gigante que está ali. Infelizmente ele não conseguiu ver o trabalho completo, mas o legado ficou. O interior da igreja ficou do jeito que ele queria”.

“São 20 anos de pároco ali. Quando ele entrou, era a igrejinha antiga. Com o tempo ele foi ampliando a igreja, na qual ficou aquela igreja grandona. Está em fase de acabamento. Ele construiu, deixou tudo pronto. Pena que ele não viu a obra concluída”.

O religioso nasceu em Serranos (MG), em 19 de outubro de 1967. Foi ordenado sacerdote na Diocese de Mogi das Cruzes, em 1º de maio de 1998, pelas mãos de Dom Paulo Mascarenhas Roxo.

Trabalhou como presbítero nas paróquias Nossa Senhora dos Remédios, no distrito de Remédios, em Salesópolis; Santa Cruz – Capela do Ribeirão, em Taiaçupeba, Mogi das Cruzes; Nossa Senhora da Paz, na Vila da Prata e, desde 2001, estava na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Roque, no distrito de Brás Cubas, em Mogi das Cruzes. Também, era o representante da Pastoral Presbiteral.

G1

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