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Bolsonaro confirma fim do auxílio emergencial: “Limite”

30 de dezembro de 2020
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Bolsonaro confirma fim do auxílio emergencial: “Limite”
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O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta quarta-feira que o auxílio emergencial não terá continuidade em 2021 e minimizou mais uma vez a pandemia, apesar de o país já ter registrado mais de 7,5 milhões de casos de covid-19 e 192,7 mil mortes.

Ao passear pela Praia Grande, no litoral paulista, Bolsonaro criticou os governadores por determinarem medidas de isolamento social, com o fechamento de comércios e serviços, e disse que mantém a mesma estratégia desde o começo da pandemia: “Toca a vida”. O presidente gerou aglomeração na praia e foi recebido por dezenas de apoiadores que não usavam máscaras, muitos deles idosos.

Bolsonaro ficou pouco mais de meia hora na praia, em visita gravada e divulgada em suas redes sociais. O presidente disse que o país se endividou para conter a pandemia e “chegou ao limite” em relação ao auxílio emergencial.

“Sei que muitos cobram, querem coisa melhor e alguns esquecem até que estamos terminando um ano atípico, onde nós nos endividamos em R$ 700 bilhões para conter a pandemia, [para] dar o auxílio emergencial para quem perdeu tudo. Os informais, em grande parte, perderam tudo, a renda foi a zero. Querem que a gente renove [o auxílio emergencial], mas a nossa capacidade de endividamento chegou ao limite”, disse o presidente a uma pessoa de sua comitiva, que gravou a declaração e divulgou no Facebook de Bolsonaro.

Ontem, a Caixa Econômica Federal pagou a última parcela do auxílio emergencial a 3,2 milhões de pessoas, encerrando o calendário de pagamentos. O programa foi lançado em abril para ajudar trabalhadores autônomos e desempregados, afetados pela pandemia.

Em seguida, o presidente disse “pedir a Deus para que tudo volte à normalidade” e fez um apelo a alguns governadores que, nas palavras dele, “teimam em fechar tudo”.

“Não deu certo, seis meses de lockdown não deu certo e essa política não pode continuar sendo dessa forma. O povo está aqui na praia. Nem vou falar que tem aglomeração. Como eu disse no começo, nós temos que enfrentar, tomar conta dos mais idosos, quem tem comorbidade. Toca a vida. E economia tem que andar de mão dada com a vida”, declarou o presidente.

O número de casos de covid-19 e de mortes pela doença voltou a aumentar no país. Nas últimas 24 horas, foram registradas 1.075 mortes pela doença e 57,2 mil novos casos.

Na praia, Bolsonaro cumprimentou dezenas de pessoas, segurou crianças e gravou vídeos com seus apoiadores. Vestido com uma camisa do Santos, colocou por cima uma camisa do Corinthians, dada por um banhista, mas tirou logo depois de seus apoiadores tirarem fotos.

Ao falar rapidamente com a imprensa, disse que o país “continua sendo administrado” e afirmou que as consequências da pandemia “estão aí”, citando o “endividamento grande que vai acontecer”. “Mas temos a informação de que a economia está reagindo”.

Uma apoiadora gritou palavras contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), adversário político de Bolsonaro, e lembrou que o tucano foi a Miami na semana passada, em plena pandemia. O presidente ironizou: “Pode ir para Miami, sem problema, mas não fecha São Paulo”, disse. Doria retornou a São Paulo pouco depois de chegar a Miami, após o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM) ser diagnosticado com covid-19.

O presidente lamentou a morte do cabo da Polícia Militar, Diogo Gomes de Melo, que morreu afogado em Itanhaém, no litoral paulista, ao tentar salvar quatro crianças que se afogavam no mar. Bolsonaro disse que deve ir ao sepultamento do policial na tarde desta quarta-feira. O presidente está hospedado desde segunda-feira no Guarujá para passar o feriado do Réveillon e deve retornar a Brasília no dia 2.

Valor Econômico

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