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Primeiros álbuns de Elis Regina e Roberto Carlos completam 60 anos

6 de agosto de 2021
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Primeiros álbuns de Elis Regina e Roberto Carlos completam 60 anos

Reprodução

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♪ MEMÓRIA – Há curiosas coincidências entre as trajetórias de Elis Regina (17 de março de 1945 – 19 de janeiro de 1982) e Roberto Carlos.

Ambos os cantores entraram em cena na segunda metade dos anos 1950. A gaúcha Elis surgiu nos microfones das rádios da cidade natal de Porto Alegre (RJ). O capixaba Roberto começou a ser (mal) notado em boate da cidade do Rio de Janeiro (RJ), precisamente a partir de 1959, ano em que deu expediente na boate Plaza como imitador de João Gilberto (1931 – 2019).

Ambos os cantores explodiram e consolidaram as respectivas carreiras em 1965. Elis defendeu e consagrou a música Arrastão (Edu Lobo e Vinicius de Moraes) no palco do 1º Festival de Música Popular Brasileira, transmitido pela TV Excelsior naquele mesmo ano de 1965 em que a cantora assinou contrato com a gravadora Philips e lançou o primeiro álbum, Samba eu canto assim, LP em que começou a ser de fato Elis Regina, voz imponente na MPB que irrompeu a partir daquele ano.

Já Roberto foi para o trono como Rei da juventude ao estrear o programa Jovem Guarda em agosto de 1965, ano em que consolidou a carreira fonográfica com o álbum também intitulado Jovem Guarda e impulsionado pelo sucesso do rock Quero que vá tudo para o inferno, composto por Roberto em parceria com Erasmo Carlos.

Contudo, a coincidência mais curiosa nas carreiras de Elis Regina e Roberto Carlos é que ambos lançaram em 1961 os respectivos primeiros álbuns, Viva a brotolândia e Louco por você. Discos que completam 60 anos em 2021 como eternos patinhos feitos nas discografias dos cantores.

Lançado em 1961 em edição da Continental, gravadora que contratara Elis por estar atenta ao sucesso local da cantora em Porto Alegre (RS), o álbum Viva a brotolândia flagrou a cantora – então com apenas 16 anos – sendo induzida pela companhia fonográfica a imitar Celly Campello (1942 – 2003), cantora paulista então muito popular por ocupar o posto de Rainha da juventude na pré-história do pop brasileiro, iniciada em fins dos anos 1950.

Inócuo, o repertório do disco de Elis acenava para o público jovem entre músicas inéditas como Dá sorte (Eleu Salvador) e versões de hits estrangeiros como Puppy love (Paul Anka, 1959) – rebatizada como Garoto último tipo – e Baby face (Harry Akst e Benny Davis, 1926), ambos vertidos para o português pelo compositor Fred Jorge (1928 – 1994).

Pouco ou nada ficou para a posteridade entre os rock-baladas, calipsos e até samba desse repertório gravado com orquestra regida pelo maestro Severino Filho (1928 – 2016), como alardeado na capa que expõe imagem sorridente de Elis.

Renegado pela artista, assim como os três álbuns posteriores da cantora (Poema de amor, de 1962, e Ellis Regina e O bem do amor, ambos de 1963), o disco Viva a brotolândia foi relançado pela Continental somente após a morte da artista, em 1982, no formato original de LP, com o título de Nasce uma estrela.

Em dezembro de 2006, a gravadora Som Livre pôs no mercado fonográfico box com caprichadas edições em CD de Viva a brotolândia e do posterior Poema de amor. Na ocasião, os dois álbuns voltaram ao mercado fonográfico com as capas e as artes gráficas originais, elevando o valor documental dessa definitiva edição de 2006.

Menos sorte teve o álbum Louco por você, renegado por Roberto Carlos. Em 1977, a CBS quase conseguiu reeditar o disco no formato original de LP, mas o cantor vetou na última hora. Quase trinta anos depois, o produtor e pesquisador musical Marcelo Fróes tentou incluir Louco por você na caixa com reedições em CD dos álbuns lançados por Roberto Carlos nos anos 1960. Mas a caixa acabou chegando ao mercado em 2004 sem Louco por você pelo mesmo motivo de sempre.

É notória a rejeição de Roberto ao álbum lançado pela gravadora Columbia em agosto de 1961 – presumivelmente em 7 de agosto – com capa que estampou a mesma foto exposta na capa de disco lançado há então 15 anos pelo organista norte-americano Ken Griffin (1909 – 1956), To each his own (1946).

Pelos reincidentes vetos de Roberto à qualquer tentativa de reedição (os advogados do cantor conseguiram tirar de circulação a edição digital posta à venda no iTunes em 2012), o álbum Louco por você acabou acabou se tornando item valioso no febril mercado brasileiro de LPs. As cópias remanescentes da primeira e única tiragem original de 1961 – estimada em mil exemplares – são raridades que valem milhares de reais.

Aos 80 anos, completados em 19 de abril, Roberto Carlos pode até ser radical, mas o fato é que o álbum Louco por você destoa da obra do artista. Com 12 esquecíveis músicas que transitam por gêneros como rock, calipso, bolero e bossa nova, acenando para o mesmo jovem público-alvo do primeiro álbum de Elis Regina, o disco Louco por você foi gravado por Roberto com a orquestra regida pelo trombonista e maestro carioca Astor Silva (1922 – 1968).

O repertório incluiu sete composições (incluindo versões) creditadas a Carlos Imperial (1935 – 1992) – produtor e marqueteiro responsável por lançar Roberto Carlos no mundo do disco em 1959 – e versão em português da balada jazzística Cry me a river (Arthur Hamilton, 1953), intitulada Chore por mim e escrita por Júlio Nabib.

G1

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