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Natália Lopes

Natália Lopes

Sou apaixonada por livros, ouço música o tempo todo e escrevo e escrevo... encontrei aqui na internet um monte de maneiras de amplificar o que antes ficava apenas na minha coleção de caderninhos. Sou de reunir histórias, relembrar a infância e querer registrar tudo o que meus olhos viram e meu coração sentiu. Compartilho aqui meus pedaços de afeto esboçados em memórias e palavras.

Uma crônica sobre o nada

4 de abril de 2024
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Uma crônica sobre o nada

Foto: Pinterest

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São dez e quinze da manhã. Hoje é uma terça-feira e o dia ainda não decidiu se será de sol ou se ficará nublado. Daqui do sexto andar, através dessas imensas janelas de vidro, observo o movimento dos carros na avenida. Minha respiração deixa o vidro embaçado. Apesar do sol tímido, desse lado de cá eu consigo me sentir um pouco mais aquecida depois de uma fuga trêmula do lado oposto do ar condicionado.

A imagem parece transcendental, finíssimos raios de sol atravessam a janela e ajudam a manter aquecido o bule da cafeteira elétrica que está ligada há horas. O cheiro de café no ambiente me traz um senso de presença, quase como se eu precisasse lembrar de respirar de novo a cada segundo. Que paradoxo encontrar no café, justo nele, o protagonista do caos e do alerta, essa sensação de calma que nenhuma outra substância poderia me trazer agora.

As notícias não são as melhores, o mundo continua desordenado, mas é um tanto particular e serena a vista daqui de cima. Outro paradoxo: estou de frente para a avenida mais movimentada da cidade. Buzinas e sirenes são como uma cantiga para o início do dia. Encaro a rua de novo. De Joni Mitchell a Emicida nos fones de ouvido. Nos entremeios dos pensamentos da vida adulta prática, me pego na confusão mental sobre como os dias da gente acontecem sempre no sentido de muitas ausências.

Misturada ao acinzentado brilhante do céu que alterna este começo de dia entre o triste e a vontade de sair dançando por aí, uma tempestade começa a se formar em meu estômago. Por que estou mordendo a ponta dos meus dedos, procurando cutículas inexistentes nos cantos das unhas e apertando com força os meus dentes? Ah, já sei o que é, me forço a lembrar. Sempre ela que chega cercando, esperando o melhor momento para vir ao meu encontro. Parece até uma amiga leal, um amor presente, um mero detalhe da existência contemporânea. Ela não vai embora nunca, apenas descansa em alguns momentos, enquanto minhas sinapses nervosas tentam se manter em equilíbrio. 

O funcionamento do meu cérebro me fascina. Não deveria ser tão cansativo olhar muitas vezes para dentro de si procurando vestígios de quem já foi e de como será o novo personagem que está se formando agora. Afinal, esse deveria ser o objetivo quando já chegamos à metade da casa dos trinta: um autointerrogatório constante, ter coragem para mudar o que pode ser mudado e uma dose de café para aceitar o que não pode. Um terapeuta também pode ser outra possibilidade. Um pouco mais cara, sabemos.

Uma mulher de uns quarenta anos está prestes a atravessar a pista. Me concentro naquela imagem como se nada fosse mais importante do que isso. É meu novo hiperfoco nos próximos segundos. Ela não está na faixa de pedestre. “Dá pra andar um pouco mais e atravessar em segurança, mulher!”, eu queria gritar para ela, que nunca me ouviria nem que eu gritasse até perder a voz. Estou no sexto andar, mas que ideia perdida essa minha. Nenhum carro freia, ela não vai conseguir atravessar tão cedo. O risco aumenta, minha respiração se agita. Como se explica essa teimosia que a gente tem de não seguir as regras e orientações básicas apenas para não morrer de graça, a trinta metros de uma simples faixa de pedestres? 

Uma desconhecida toma conta do meu olhar inquieto, e para ser sincera, mesmo não conseguindo enxergar com clareza o seu rosto, todo o meu mundo gira em torno da sua vida. “Você só precisaria andar um pouco mais para o lado”, desisto, abatida. Já imaginei as piores hipóteses para o fim daquela cena. Que seja o que deus quiser.

E falando em deus. Deus? Deus com “dê” maiúsculo ou minúsculo? Quando eu era criança, aprendi que se a gente escreve a palavra do poder supremo com letra minúscula, corremos o risco de ser severamente castigados. “Mas por causa de uma letra?”, eu questionava, mas nunca quis arriscar. Aí cresci e parei de acreditar no medo. Comecei a desafiar essa convenção social e religiosa de que quanto menos reagisse, mais segura estaria. 

Crescer tem dessas coisas. A gente para de se agarrar ao abstrato e passa a materializar o olhar. Sim, e daí que nem tudo se explica? Não tenho nada a ver com isso. Eu só aceito permanecer nesse caos que me impuseram se souber minimamente do que se trata essa existência. Afinal, se Gal canta que “tudo é divino maravilhoso”, qualquer coisa pode ser divina. E maravilhosa. E real. 

Se eu seguir para o campo da especulação, perco a zona de segurança que construí ao meu redor. Não tente me entender. Você não conseguiria. Parece uma perspectiva simplista ou até mesmo triste sobre a vida, mas é a teoria que me sustenta pelo menos agora. Ah, isso tem também alguma coisa a ver com política. Eu deveria entender mais de política. E de economia, do nosso sistema de juros e tributos, de ciência, das mudanças climáticas, de algoritmos. Deveria saber mais sobre quem comanda o mundo, ser mais crítica com os agiotas do poder e estar mais atenta aos seus sinais, aos letreiros e às faixas de pedestres.

Muitos anos atrás, nos tempos em que o amor ainda era analógico, talvez as trocas fossem mais equilibradas e se autorregulassem, talvez fosse mais fácil se sentir confortável na própria pele, acho que era mais simples de entender que a alta performance constante é uma ilusão e que era inevitável saber que uma hora o sistema falha.

Um recado para mim mesma: há muita coisa dita no silêncio e tantas outras nas palavras que muitas vezes parecem não dizer nada. Me sobressalto com o apito do microondas. O queijo dentro do pão já derreteu.

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