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Greve no Veredas denuncia caos na saúde de Maceió

12 de dezembro de 2025
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Greve no Veredas denuncia caos na saúde de Maceió

Imagem: Reprodução

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Por Hemilly Souza

Trabalhadores do Hospital Veredas, em Maceió, estão em greve por falta de pagamento de salários, do piso nacional da enfermagem, do vale-transporte e de outros direitos trabalhistas. A paralisação, que é a segunda deste ano, começou em 13 de novembro e segue até a quitação dos débitos, ou seja, por tempo indeterminado.

O movimento envolve profissionais e representantes do Sateal (Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem de Alagoas), do Sintreal (Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Alagoas), do Sineal (Sindicato dos Enfermeiros de Alagoas) e do Sindfal (Sindicato dos Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais de Alagoas).

Segundo as entidades, há meses o movimento tenta dialogar com a direção do hospital, buscando acordos para resolver o atraso no pagamento de salários. No entanto, as promessas de regularização feitas pela gestão têm falhado, o que agravou a crise financeira enfrentada pelos funcionários.

Ignorando a crise salarial, o Conselho Deliberativo do Hospital Veredas marcou, para o dia 18 de dezembro, às 14h30, uma reunião extraordinária para a análise e deliberação das contas referentes ao exercício de 2024. Sem pautar a greve dos funcionários, a convocação foi publicada no Diário Oficial do Estado e acontecerá nas dependências do próprio hospital.

A direção do Veredas é composta por Pedro Robério de Melo Nogueira, presidente do conselho; André Luis Ramires Seabra, diretor-presidente interino; e os diretores Pauline Pereira, Luiz Eustáquio Silveira Moreira Filho e Miquéias Silva Damaceno Júnior.

De acordo com a presidente do Sineal, Cinthia Carvalho, estão em atraso os salários de abril, maio, outubro e novembro, além de três adicionais do piso da enfermagem, parte do 13º salário de 2024, férias e vale-transporte. Segundo ela, o sindicato enviou, no início deste mês, um documento formalizando as reivindicações aos órgãos responsáveis.

Com a paralisação, apenas 30% dos atendimentos são mantidos, conforme a Lei nº 7.783/1989, que trata do direito de greve e dos serviços essenciais. A situação expõe a crise na saúde de Maceió e a negligência de órgãos fiscalizadores, enquanto os trabalhadores clamam nas ruas da capital pedindo para serem vistos e lembrados.

Outras manifestações

Em agosto, os profissionais do Veredas chegaram a bloquear parcialmente a Avenida Fernandes Lima, no Farol, em protesto contra o atraso dos salários e a falta de diálogo com a administração do hospital.

O ato reuniu sindicatos da saúde e da enfermagem de Alagoas, que manifestaram preocupação com os atrasos nos repasses estaduais e com a ausência de um cronograma de pagamento, pensões e FGTS.

Em setembro, a Justiça Federal em Alagoas determinou que o Estado transferisse, no prazo de 48 horas, o valor de R$ 2.740.817,11, já auditado e devido ao Hospital Veredas, para o pagamento prioritário da folha salarial.

A decisão também advertia que, caso a inadimplência persistisse, novas ordens de bloqueio poderiam ser expedidas para garantir a quitação com fornecedores e a manutenção dos serviços hospitalares.

O juiz ainda determinou que o Estado de Alagoas e o Município de Maceió auditassem e quitassem, em até 30 dias, os serviços prestados pelo hospital em medições futuras, sob pena de novas medidas coercitivas.

Apesar disso, os trabalhadores afirmam que continuam sem receber e que apenas promessas têm sido feitas pelos responsáveis.

Em outubro, trabalhadores das Unidades de Pronto Atendimento (Upas) dos bairros Jacintinho e Tabuleiro do Martins paralisaram por 24 horas para reivindicar salários atrasados e melhores condições de trabalho.

Segundo representantes do Sateal, além dos atrasos salariais, as unidades estão com equipamentos quebrados, falta de insumos básicos e estrutura precária para atender a população.

Em novembro, profissionais dos Hospitais Santo Antônio e Médico Cirúrgico também realizaram protestos para cobrar o pagamento de salários atrasados e o complemento do piso nacional da enfermagem.

No Veredas, os sindicatos denunciam que a administração do hospital não tem cumprido o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), um acordo celebrado com órgãos públicos para promover a intervenção na gestão da unidade.

As entidades também pedem apoio da população na manutenção da greve e ressaltam os impactos físicos e emocionais sofridos pelos trabalhadores devido à instabilidade financeira.

Edição n° 152 – 12 a 18 de Dezembro

 

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