Banner-728x90px-Alagoas-Inteligente_2
1017
27 de maio de 2026
Folha de Alagoas
BannerSiteContrato_SENAI_728x90px (1)
BannerSiteContrato_SENAI_728x90px (1)
  • INÍCIO
  • GERAL
  • INTERIOR
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTE
  • POLÍTICA
  • REBULIÇO
  • CONTATO
Sem resultados
Exibir todos os resultados
27 de maio de 2026
Folha de Alagoas
Sem resultados
Exibir todos os resultados
CÂMARA 1 - 728x90 (1)
CÂMARA 2 - 728x90 (1)
Redação

Redação

Cristãos-novos e a Família Aguiar 

27 de maio de 2026
0
Cristãos-novos e a Família Aguiar 
Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Whatsapp

Moisés de Aguiar

Contribuição: George Peixoto 

A presença de cristãos-novos (judeus convertidos forçadamente ao catolicismo) na família Aguiar é um fato histórico documentado, principalmente através de processos da Inquisição e estudos genealógicos sobre a colonização do Brasil e das ilhas atlânticas.

Origem e dispersão: O sobrenome Aguiar, de origem toponímica (nomes derivados de espaço geográfico, fauna animal e vegetal), foi adotado por diversas linhagens de cristãos-novos na Península Ibérica para facilitar a integração social e fugir da perseguição religiosa após o édito (ordem, decreto ou proclamação oficial) de 1497 em Portugal. Com origem judaica, a família Aguiar espalharam-se por Portugal, estabelecendo-se com preponderantemente nos Açores e na Madeira.

Brasil colonial: Para fugir das acusações da prática do criptojudaísmo (prática oculta e secreta da fé judaica), muitos membros da família migraram para o Brasil, fixando-se inicialmente em capitanias como Pernambuco e Bahia. Assim como outras famílias de origem sefardita (judeus originários da Península Ibérica -Espanha e Portugal), muitos Aguiar mantiveram a prática do judaísmo em segredo (criptojudaísmo) dentro do ambiente doméstico, fugindo das denúncias ao Tribunal do Santo Ofício.

Redes de comércio: Os cristãos-novos dessa linhagem frequentemente integravam redes comerciais que conectavam o Brasil à Europa e a outras colônias, utilizando os laços familiares como base de confiança para os negócios. Nessa conexão comercial, membros da família Aguiar em Pernambuco estavam frequentemente ligados a redes de “homens de negócio” que operavam entre Recife, Olinda e Lisboa.

Processos inquisitórios: Existem registros de indivíduos com o sobrenome Aguiar que foram investigados, presos ou degredados pela Inquisição sob acusação de “judaizar” (praticar ritos judaicos).

Legado genealógico: Muitos descendentes da família Aguiar no Brasil, especialmente no Nordeste, buscaram o reconhecimento da ascendência sefardita, assim denominados os judeus descendentes das comunidades que viveram na Península Ibérica. O reconhecimento era para processos de cidadania ou para resgate da história familiar. A presença de cristãos-novos (judeus convertidos ao catolicismo) na família Aguiar é um fato histórico documentado, principalmente através de processos da Inquisição e estudos genealógicos sobre a colonização do Brasil e das ilhas atlânticas.

Ramo específico de Pernambuco (O “Berço” sefardita): Pernambuco foi um dos principais centros de recepção de cristãos-novos no século XVI devido à economia açucareira, que vivenciava o chamo ciclo do açúcar no país. O litoral norte pernambucano, foi um dos mais requisitados, com destaque para o povoado de Barra Grande, pertencente à Capitania de Pernambuco e que fazia parte da Freguesia de São Bento, Gamela e Peroba (atual região do litoral norte alagoano).

A região onde se insere Barra Grande, foi um importante ponto de ancoragem para grandes navios, fator favorável a sua colonização por famílias portuguesas, sobressaindo-se a família Barreto de Aguiar. O sobrenome Barreto, é um dos mais antigos troncos familiares brasileiros com presença consolidada na região de Pernambuco e áreas vizinhas desde o século XVI.

Migração e fixação regional: Membros da família Aguiar, migravam frequentemente de Pernambuco e Bahia para Sergipe acompanhando o deslocamento do eixo econômico do açúcar, surgido a partir de currais de gado entre os séculos XVIII e XIX que se transformaram em grandes plantações de cana-de-açúcar.

Formação étnica familiar: Um dos ramos mais proeminentes da família Aguiar é o do ilustre advogado e político Fausto de Aguiar Cardoso (1862-1906). A árvore genealógica de figuras como Júlio Barreto de Aguiar, Sebastião de Aguiar Machado Junior e Benjamim de Aguiar Machado confirma a presença consolidada da família no município sergipano de Divina Pastora no final do século XIX. Maruim, outro município sergipano, foi um grande centro para cristãos-novos (judeus convertidos) devido ao comércio portuário, formando uma integração da rede comercial e agraria, propicia, inclusive, para casamentos com outras elites locais.

Vulto representativo: Uma das figuras proeminentes dos descendentes da família Aguiar, foi Antônio Elias de Aguiar (meu bisavô). Pela sua importância, ajudou no final do século XIX a situar o ramo da família na região, especialmente em Divina Pastora.

Ele aparece listado como egresso da Faculdade de Direito do Recife (turma de 1872), centro acadêmico que formava a elite intelectual e política do Nordeste na época. Em decorrência da sua formação, ocupou o cargo de Juiz Municipal de Divina Pastora, sendo transferido posteriormente para exercer a mesma função em Laranjeiras, outro município de grande importância histórica e econômica em Sergipe.

A trajetória jurídica de Antônio Elias de Aguiar, guarda a marcada pela participação na última condenação a pena de enforcamento no Brasil. Quando da sua passagem na Comarca de Pilar – AL, foi o Promotor de Justiça responsável por acusar em júri o escravizado Francisco pelo assassinato a pauladas, ocorrido em 1874 de seus senhores, o capitão da Guarda Nacional João Evangelista de Lima e sua esposa, Josepha Marta de Lima.

Conexão com Divina Pastora e a herança familiar: A presença de um bacharel em Direito como Juiz, indica que este ramo da família Aguiar pertencia à elite letrada e proprietária agraria da Província de Sergipe, consolidando seu poder através da magistratura e da posse de terras.

Relações de parentesco: É muito provável que Antônio Elias tenha tido laços de parentesco ou proximidade política com a linhagem de Fausto de Aguiar Cardoso (também de Divina Pastora), uma vez que ambos faziam parte do reduzido grupo de advogados e magistrados que atuavam na região de Cotinguiba (Divina Pastora, Laranjeiras e Maruim).

Construção genealógica: Ana Eleutéria de Aguiar, é a peça que faltava para consolidar o ramo da elite agrária e intelectual de Divina Pastora no século XIX. Esposa de Antônio Elias de Aguiar, Ana Eleutéria (minha bisavó) pertencia a famílias tradicionais que, por meio de casamentos endogâmicos (entre parentes ou famílias de mesma classe), mantinham o patrimônio e a influência local. Ambos faziam parte do círculo social e político mais influente da região do Cotinguiba.

O sobrenome Eleutéria é recorrente em linhagens que praticavam a endogamia, um comportamento clássico das famílias cristãs-novas para não dispersar o patrimônio e manter tradições ocultas.

Marco temporal: Com o falecimento de Antônio Elias de Aguiar, a viúva Ana Eleutéria, como herdeira inventariante e matriarca, buscou reinvestir o capital da família em uma região com maior potencial de expansão açucareira, haja vista que as terras de Sergipe já estavam muito fragmentada.

O litoral norte de Alagoas, onde ficava as terras férteis no entorno do vale do rio Camaragibe, estava em pleno crescimento com a modernização dos engenhos. Contribuía também com a escolha, laços familiares remanescentes da família Barreto de Aguiar, presença marcante no litoral compreendido entre Alagoas e Pernambuco, notadamente pelos seus tentáculos no Povoado de Barra Grande, hoje fazendo parte do território alagoano do litoral Norte.

Dessa forma e trazendo consigo o patrimônio acumulado pela carreira do marido e pelas heranças das famílias Aguiar, Eleutéria, compra em São Luís do Quitunde -AL uma vasta e fértil propriedade rural de nome Engenho Guindaste, provavelmente na década de 1890.

A Compra do Engenho Guindaste: Ana Eleutéria, uma mulher viúva naquela época, demonstra o seu poder econômico, formado pelo patrimônio acumulado decorrente da carreira do marido e pelas heranças agrarias das famílias Aguiar e Eleutéria. A compra do engenho, é um exemplo clássico de como famílias de origem cristã-nova preservando seu status através da terra.

Com visão avançada e senso empreendedor, Ana Eleutéria expandiu o ramo de negócio do açúcar para uma região prospera à época, em pleno crescimento com a modernização dos engenhos, onde seus filhos poderiam prosperar como senhores de engenho. Muito embora, seus filhos tenham seguido a lógica das elites intelectuais da época, movendo-se principalmente, para centros urbanos maiores afim de adquirirem formação acadêmica e de exercerem profissões liberais.

Linha sucessória: Augusto Aguiar como filho de Antônio Elias de Aguiar e Ana Eleutéria de Aguiar, a partir do seu ramo familiar em Divina Pastora, ganha uma linha sucessória alagoana. Dessa forma, coube a Augusto Aguiar (meu avô), o gerenciamento do Engenho Guindaste e consequente preservação da tradição agraria da família, mantendo as propriedades rurais como fonte de renda.

Constituindo-se em exceção familiar com relação aos irmãos, Augusto Aguiar se estabelece em Alagoas e incorpora a dinâmica local, que era fortemente baseada na economia do açúcar, além de ter constituído família.

Localizado no município de São Luís do Quitunde o Engenho Guindaste levou Augusto Aguiar a estabelecer raízes não só no âmbito das unidades produtivas que compuseram a malha açucareira da região norte de Alagoas, como também empreendeu ampla expansão na aquisição de terras em lugarejos do litoral no sentido Maceió, adquirindo inclusive, imóveis na capital alagoana.

Você também pode gostar desses conteúdos

Judiciário de Alagoas funciona em regime de plantão de 16 a 21 de abril
Sem categoria

Motorista embriagado é condenado a 43 anos por morte de casal e feto em Maceió

por Redação
27 de maio de 2026
Secretário é alvo de críticas após viagens enquanto moradores denunciam precariedade na saúde de Tanque d’Arca
Sem categoria

Secretário é alvo de críticas após viagens enquanto moradores denunciam precariedade na saúde de Tanque d’Arca

por Redação
27 de maio de 2026
Empresário ligado às contratações dos shows milionários de Maceió “doa” helicóptero para JHC
Sem categoria

Empresário ligado às contratações dos shows milionários de Maceió “doa” helicóptero para JHC

por Redação
27 de maio de 2026
Banco que JHC ‘investe’ dinheiro dos aposentados pode falir, diz Agência
Sem categoria

Operação envolvendo Banco Master no Rio aumenta tensão em torno de JHC

por Redação
26 de maio de 2026
Alagoas: PF faz operação contra fraudes no Exame da OAB
Sem categoria

Alagoas: PF faz operação contra fraudes no Exame da OAB

por Redação
26 de maio de 2026

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

banner-site
banner-site
Católicos de Paripueira discordam de evento com a participação de políticos

Católicos de Paripueira discordam de evento com a participação de políticos

7 de agosto de 2025
Vereador acusa Henrique Chicão de usar hospital para se eleger deputado

Vereador acusa Henrique Chicão de usar hospital para se eleger deputado

7 de agosto de 2025

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Sem categoria

Cristãos-novos e a Família Aguiar 

27 de maio de 2026
Sem categoria

Motorista embriagado é condenado a 43 anos por morte de casal e feto em Maceió

27 de maio de 2026
Sem categoria

Secretário é alvo de críticas após viagens enquanto moradores denunciam precariedade na saúde de Tanque d’Arca

27 de maio de 2026

REDAÇÃO

(82) 98898-7444

folhadealagoas@gmail.com

ARQUIVOS

Disponível no Google Play

© 2021 | Folha de Alagoas.

Sem resultados
Exibir todos os resultados
  • INÍCIO
  • GERAL
  • INTERIOR
  • CULTURA
  • ECONOMIA
  • ESPORTE
  • POLÍTICA
  • REBULIÇO
  • CONTATO

© 2021 | Folha de Alagoas.

Utilizamos cookies essenciais e outras tecnologias semelhantes, ao continuar navegando, você concorda essas e outras condições de nossa Política de Privacidade e Cookies.