Redação
A proposta de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o investimento de R$ 117,9 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos (Iprev Maceió) no Banco Master já conta com 14 assinaturas na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE). A informação foi confirmada pelo líder da bancada do PT, deputado Ronaldo Medeiros.
A iniciativa é de Medeiros, em conjunto com os deputados Dr. Wanderley e Remi Calheiros, ambos do MDB. De acordo com o Regimento Interno da Assembleia, são necessárias, no mínimo, nove assinaturas para a instalação de uma CPI. “Acredito que chegaremos a 20 assinaturas ainda esta semana, incluindo membros da oposição”, afirmou Medeiros.
Medeiros convocou uma reunião para a próxima sexta-feira (3) com o objetivo de definir um cronograma de trabalho para dar andamento às investigações. Após a conclusão da coleta de assinaturas, a intenção é encaminhar o pedido ao presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor, para que o requerimento seja incluído na pauta da primeira sessão ordinária de agosto.
Segundo Medeiros, a CPI pretende solicitar esclarecimentos ao Iprev Maceió sobre as razões que motivaram o investimento na instituição, que já enfrentava dificuldades financeiras. Os parlamentares também pretendem apurar eventual relação entre gestores municipais e o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Caso Banco Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, após uma série de irregularidades financeiras que culminaram na prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro.
Segundo as investigações, a principal razão para a liquidação da instituição foi a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com remuneração considerada incompatível com as condições de mercado, chegando a oferecer rentabilidade de até 140% do CDI.
Antes da liquidação, o Banco Master captou pelo menos R$ 4,4 bilhões em investimentos de institutos de previdência estaduais e municipais. No Brasil, 18 fundos investiram na instituição.
A Polícia Federal investiga a suspeita de pagamento de propina por parte do Banco Master a gestores dos fundos de previdência em troca das aplicações milionárias.
O maior aporte identificado foi o da Rioprevidência, do Estado do Rio de Janeiro, que investiu inicialmente R$ 970 milhões em 2023. No ano seguinte, realizou um novo aporte, elevando o total investido para R$ 3,6 bilhões.
Os levantamentos também apontam investimentos de R$ 400 milhões do Estado do Amapá, R$ 93 milhões do município de São Roque (SP), R$ 87 milhões de Cajamar (SP) e R$ 13 milhões de Santo Antônio de Posse (SP).
Em Maceió, a gestão do prefeito João Henrique Caldas (JHC) aplicou R$ 117 milhões do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. À época, a operação já era considerada de alto risco em razão da situação financeira da instituição.
Além disso, o investimento foi realizado sem a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que resultou na perda dos recursos após a liquidação do banco.














