Quem disse que samba e brega precisam andar em caminhos separados? Em Maceió, a música resolveu provar exatamente o contrário. No próximo dia 25 de julho, o Festival Dose Dupla estreia propondo um formato inédito na capital alagoana, colocando frente a frente duas bandas de grande identificação com o público para um espetáculo onde os estilos se misturam e os repertórios se reinventam.
No palco do Espaço Armazém, Samba da Periferia e Leite de Rosas e Alfazema deixam de lado qualquer ideia de competição de ritmos para criar uma experiência divertida em que o samba ganha sotaque de brega, o brega veste roupa de samba e o público descobre que a boa música não conhece fronteiras.
A proposta nasceu depois que a Leite de Rosas e Alfazema, ainda no início do projeto, abriu uma edição do Samba pra Jorge, tradicional evento promovido pelo Samba da Periferia. A sintonia entre as bandas e a resposta do público despertaram uma inquietação que deixou no ar o gosto de quero mais, e a idéia de transformar aquela conexão em um espetáculo próprio.
A resposta veio em forma de uma “dose dupla” de música, memória e criatividade.
“Nossa busca é sempre trazer novas formas de contar histórias por músicos alagoanos. Quando vimos o público cantando, dançando e vivendo aquele momento, percebemos que existia algo muito maior ali. O Dose Dupla nasceu dessa inquietação de oferecer uma experiência diferente”, resume a produtora cultural da FK Produções Artísticas, Karina Liberal.
Ninguém perde
Apesar do nome, o duelo proposto pelo festival é apenas simbólico. Segundo Beer, a inspiração para o formato veio da lembrança dos antigos “duelos” que os fãs criavam em torno de artistas consagrados do brega, como Adelino Nascimento e José Orlando. Desta vez, o desafio acontece de forma bem-humorada, colaborativa e cheia de surpresas.
“A música não é um esporte para existir competição. O duelo é uma brincadeira, uma homenagem aos grandes encontros do passado. No palco, o que vai existir é uma confraternização”, explica Beer, vocalista e um dos líderes do Samba da Periferia.
A brincadeira promete levar os músicos para fora de suas zonas de conforto. Clássicos do samba ganharão novas leituras inspiradas no brega romântico, enquanto sucessos do brega serão reinterpretados no balanço do samba.
“O segredo é provar que o público é um só e que boa música passeia por vários estilos. Estamos muito felizes em dividir esse palco com o Samba da Periferia”, afirma Phillipe Seixas, o Phella.
Nostalgia com roupa nova
Embora seja uma banda recém-criada, a Leite de Rosas e Alfazema rapidamente conquistou espaço ao tratar um repertório muitas vezes visto apenas como “brega” com arranjos elaborados, banda completa, metais e uma produção que valoriza o gênero sem caricaturas. A proposta é revisitar clássicos que marcaram gerações, transformando memória afetiva em espetáculo.
“A gente toca brega, mas, na verdade, entrega nostalgia”, resume o diretor executivo da Leite de Rosas e Alfazema, Márcio Cássio.
À frente do projeto está Phella, conhecido do público alagoano por sua trajetória na Som de Vinil, uma das bandas de rock mais respeitadas do estado, com 20 anos de carreira. Ao lado de músicos experientes, ele encontrou no repertório romântico das décadas de 1970, 1980 e 1990 uma forma de resgatar lembranças de uma geração que cresceu ouvindo rádio, dançando em festas e colecionando histórias embaladas por essas canções.
“Quem viveu uma época sem celular, ouvindo música no rádio e na vitrola, encontra no nosso show uma memória gostosa e um orgulho de ser do seu tempo”, diz o cantor.
Tudo vira samba. E brega também
Se para a Leite de Rosas e Alfazema a nostalgia é um dos pilares do espetáculo, o Samba da Periferia chega ao Dose Dupla celebrando uma trajetória que completa dez anos em 2026 e consolidou um público fiel ao redor da música brasileira.
Defendendo o lema “tudo vira samba”, o grupo sempre apostou em misturar repertórios e receber artistas de diferentes estilos em seus projetos.
“Por ser considerado um dos símbolos da identidade musical brasileira, o samba tem a obrigação de abraçar outros gêneros. O que importa é ser música boa”, defende Beer.
Para ele, a parceria com a Leite de Rosas e Alfazema surgiu naturalmente porque as duas bandas compartilham da mesma preocupação, em construir um espetáculo pensado para quem está diante do palco.
“Existe uma troca de energia muito verdadeira. A gente percebe isso na banda e no público. Quem ganha com essa parceria é justamente quem vai viver essa experiência.”
Mais palcos para a música alagoana
Além da proposta inédita, o Festival Dose Dupla também lança luz sobre um debate recorrente entre músicos locais: a necessidade de ampliar os espaços para apresentações autorais e projetos criativos em Maceió.
“Maceió é carente de todos os tipos de evento. Precisa de mais samba, mais forró, mais rock. A cidade é um celeiro de músicos excepcionais, mas ainda tem poucos palcos”, avalia Márcio.
E se o público do samba também souber cantar brega? E se quem ama brega descobrir que também gosta de samba? A resposta será dada no dia 25 de julho, mas já sabemos que o duelo terminará com a boa música e a cultura vencendo.
Serviço
Data: 25 de julho de 2026 (sábado)
Horário: A partir das 18h
Local: Espaço Armazém
Ingressos: Viva Alagoas e Folia Brasil ou Unique: https://uniqueingressos.com.br/evento/festival_dose_dupla/1078
Realização: FK Produções e Soluções Artísticas.
/Assessoria















