A Praia do Francês, durante décadas associada principalmente ao veraneio e às viagens de férias, começa a ganhar novas funções. A expansão da atividade turística em Marechal Deodoro, somada à chegada de empreendimentos e melhorias na infraestrutura, vem ampliando o interesse imobiliário por um dos endereços mais conhecidos do litoral sul alagoano.
Os números ajudam a dimensionar esse movimento. O Valor Adicionado Bruto (VAB) do Turismo de Marechal Deodoro praticamente dobrou em dois anos, passando de R$ 56,4 milhões em 2021 para R$ 111,1 milhões em 2023, avanço de 98%. O município ocupa a quarta posição no ranking estadual do indicador e tem cerca de 20 novos empreendimentos turísticos e hoteleiros previstos até 2028.
Para o consultor em investimentos imobiliários e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga, a expansão econômica começa a produzir reflexos que ultrapassam o setor de hospedagem. O Francês passa a despertar interesse tanto de quem procura patrimônio para locação por temporada quanto de compradores interessados em segunda residência ou moradia permanente.
“O Francês tem uma característica que poucos destinos de praia conseguem reunir: está muito próximo de uma capital. Quem escolhe morar ali não necessariamente precisa romper sua relação com Maceió. É possível trabalhar, estudar ou resolver a rotina na capital e viver no litoral. Isso acrescenta uma demanda que vai além do turista”, explica.
Novos moradores – A localização ajuda a explicar essa mudança. A curta distância até Maceió permite que a localidade seja considerada por pessoas que buscam qualidade de vida próxima ao mar sem abrir mão dos serviços e das oportunidades concentradas na capital.
Ao mesmo tempo, o crescimento turístico mantém outra frente de demanda. Na avaliação de Lauro, essa combinação é especialmente relevante para entender o comportamento imobiliário local. “Um destino exclusivamente turístico depende muito mais da sazonalidade. Quando o mesmo endereço consegue atrair visitante, morador e investidor, a dinâmica muda. São públicos diferentes procurando produtos diferentes e movimentando o mercado ao longo do ano”, afirma.
A transformação também vem acompanhada de intervenções urbanas. Em 2025, a Prefeitura de Marechal Deodoro anunciou mais de R$ 1,2 milhão em investimentos para requalificação de ruas do Francês, com serviços de pavimentação, ampliação de calçadas e iluminação.
Novos investimentos – A transformação do Francês também passa pela ampliação da oferta de comércio, serviços e lazer. Entre os projetos previstos está a implantação de um shopping, que deve acrescentar uma nova estrutura comercial ao destino. A vida noturna também tende a ganhar novos espaços. Além da La Rue, rua que concentra gastronomia, bares e estabelecimentos voltados ao entretenimento, está prevista uma segunda via seguindo dinâmica semelhante, ampliando as opções para moradores e visitantes após o fim do dia na praia.
Para o consultor, essas mudanças são importantes porque ajudam a reduzir uma característica comum a muitos destinos litorâneos: a concentração do movimento em determinados horários e períodos do ano. A presença de restaurantes, comércio, serviços e entretenimento amplia a permanência das pessoas no local e fortalece uma rotina que vai além da atividade turística tradicional.
“Quando chegam serviços, gastronomia, comércio e novas opções de lazer, o destino começa a funcionar de outra forma. Não é apenas o turista que vai à praia e retorna. Você cria uma dinâmica de permanência, atende quem mora, quem tem segunda residência e quem está hospedado. Para o mercado imobiliário, essa transformação precisa ser observada porque interfere diretamente na atratividade daquele endereço”, explica.
É nesse contexto que Lauro chama atenção para as chamadas assimetrias de mercado, quando as perspectivas de desenvolvimento de uma área ainda não estão totalmente incorporadas ao preço de determinados imóveis. “O investidor precisa identificar o que ainda não está refletido no preço. Não basta comprar porque o Francês está crescendo. É preciso observar o que está chegando, quais mudanças são estruturais, quais públicos estão sendo atraídos e se aquele imóvel específico consegue capturar essa nova demanda”, destaca.
Para Lauro, a soma desses movimentos ajuda a reposicionar o litoral sul no mapa imobiliário. “O Francês continua sendo um destino turístico consolidado, mas passa a reunir elementos de uma região onde também é possível morar, consumir, trabalhar, sair à noite e ter uma rotina ao longo de todo o ano. É essa transformação que muda a perspectiva sobre o mercado local”, conclui.
/Assessoria














