Redação
A Operação Compliance, que já teve várias fases em diversos municípios e estados da federação, pode ganhar novos desdobramentos em Maceió. A capital alagoana entrou no radar da Polícia Federal (PF) devido ao envolvimento do ex-presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev), Ronnie Reyner Teixeira Mota, e de ex-dirigentes do instituto, como Gustavo Antonio Rodrigues de Souza, gestor de investimentos do Iprev, além do secretário municipal da Fazenda, João Felipe Alves Borges, que continua no exercício do cargo. Todos foram alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos pela PF em agosto.
A possibilidade de uma nova fase surge após a PF solicitar ao STF a prorrogação do prazo para concluir as investigações sobre o aporte de R$ 97 milhões realizado pelo Iprev no Banco Master. O pedido foi encaminhado a Mendonça, relator do caso no Supremo.
MATERIAL APREENDIDO EM ANÁLISE
Os investigadores ainda precisam examinar parte do material recolhido durante a operação de agosto. Também é necessário cruzar documentos e informações solicitadas ao Banco Central, à Bolsa de Valores e ao Ministério da Previdência Social. Estavam pendentes, ainda, respostas a ofícios enviados ao próprio Iprev e ao liquidante extrajudicial do Banco Master.
A PF informou ao STF que o período adicional será usado para concluir diligências e analisar documentos que continuam sendo recebidos, com o objetivo de individualizar eventuais responsabilidades.
INVESTIGAÇÃO MIRA APLICAÇÕES MILIONÁRIAS
Em 10 de agosto, a PF e a Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e São Paulo. A ação, autorizada por André Mendonça, teve como foco duas aplicações feitas pelo Iprev em 2023 e 2024, que somaram R$ 97 milhões.
A PF apura, entre outros pontos, o processo de credenciamento do Banco Master, a cotação dos investimentos, a análise de risco, os mecanismos de governança e a tomada de decisão que antecederam os aportes.
A investigação busca esclarecer se houve possível direcionamento dos investimentos e exposição considerada desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de maior risco e menor liquidez. As suspeitas ainda estão sob apuração e não representam conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.
BLOQUEIO DE BENS
Entre os alvos da operação de agosto estavam, além do secretário da Fazenda, João Felipe Alves Borges, o ex-presidente do Iprev Ronnie Reyner Teixeira Mota e o ex-coordenador-geral de Investimentos Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, além de outros integrantes e pessoas ligadas ao processo de aplicação dos recursos.
Também foi determinada a indisponibilidade de bens e valores dos investigados até o limite global de R$ 97 milhões.
Na ocasião, o Iprev afirmou, conforme a Folha de S.Paulo, que os investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis e que o instituto vinha colaborando com as autoridades. O órgão também destacou o crescimento de seu patrimônio e afirmou manter a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas.
PRÓXIMO PASSO
Com o pedido de mais prazo, a investigação entra em uma etapa considerada decisiva: a análise técnica do material recolhido e o cruzamento das informações financeiras e administrativas. O cenário abre espaço para novos depoimentos, diligências ou medidas judiciais, caso os investigadores encontrem elementos que justifiquem novas providências.
O caso envolve diretamente recursos previdenciários dos servidores municipais e ganhou dimensão nacional após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025.














