A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou a Polícia Federal (PF) para investigar um site que oferece criptomoedas a usuários que compartilham conteúdos de apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A notícia-crime foi apresentada nessa quinta-feira (8) pela coligação Brasil Pronto pra Mais, que pede a identificação dos responsáveis e a apuração de possíveis crimes eleitorais.
O caso envolve o projeto Brasil 22 Token, conhecido como B22. A página associava o apoio ao voto no número 22 à arrecadação de recursos para crianças de Uganda. A campanha de Flávio afirma desconhecer os responsáveis e nega qualquer relação com a iniciativa.
Recompensas por publicações
Segundo o documento entregue à PF, o site previa a distribuição de 30 mil tokens, ativos digitais negociáveis, a cada uma das primeiras mil pessoas que publicassem conteúdos sobre o projeto no X, Instagram ou TikTok.
A iniciativa foi divulgada pelo perfil HypersKids Africa, formado por crianças e adolescentes de Uganda e com cerca de 13 milhões de seguidores no Instagram. Em um vídeo, integrantes do grupo aparecem com camisetas do projeto e pedem votos para o candidato do PL.
O site afirmava que parte das vendas seria destinada à construção de uma casa para o grupo em Kampala, capital ugandense.
Também declarava que a entrega de tokens independia de voto ou preferência eleitoral e negava vínculo oficial com políticos, partidos e campanhas.
Pedidos de investigação
A coligação de Lula solicitou a abertura de inquérito, a preservação de registros digitais e a cooperação com autoridades dos Estados Unidos para identificar os responsáveis pelo domínio.
Também pediu que órgãos de proteção à infância fossem comunicados sobre o uso da imagem das crianças.
Na esfera eleitoral, a campanha questiona a oferta de recompensas por divulgação política.
Os advogados alegam propaganda irregular, abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação, além de pedirem a apuração de eventual compra de votos.
As acusações dependem de análise pelas autoridades competentes.
Campanha de Flávio nega envolvimento
A equipe de Flávio anunciou que adotará medidas nas esferas eleitoral, cível e criminal para retirar o site do ar. Afirmou ainda que não contrata perfis para divulgar produtos ou conteúdos de campanha.
“A campanha desconhece a autoria do site citado, assim como não tem qualquer relação com o seu conteúdo e nem com a venda de criptomoedas.”
Na madrugada desta sexta-feira (9), o site passou a informar que sua comunicação será dedicada exclusivamente à causa social das crianças de Uganda até o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
/Congresso em Foco














