Entre os cerca de 3 mil atletas que participaram da Meia Maratona Coop, realizada neste fim de semana (19 e 20), na praia de Pajuçara, em Maceió, algumas histórias começaram muito antes da largada. Promovida pela Unimed Maceió, Sicredi Expansão e Uniodonto Maceió, a prova reuniu pais e mães que encontraram na corrida uma forma de cuidar da própria saúde e que, dentro de casa, passaram também a incentivar os filhos a terem uma rotina mais ativa.
Em comum, essas famílias mostram como um hábito que começa de forma individual pode ultrapassar os treinos e chegar aos filhos. Seja acompanhando os pais nas provas, dividindo os últimos metros de um percurso ou crescendo em uma casa onde a atividade física faz parte da rotina, as crianças passam a ter contato com o esporte a partir do exemplo mais próximo: o da própria família. Foi o que aconteceu com Pamela Crispim (41), mãe de três filhos: Bruno, Bernardo e Hannah.
Há dois anos, ela começou a correr para perder peso depois de perceber que, entre as gestações e as demandas com a casa e as crianças, havia deixado o próprio cuidado em segundo plano. De lá para cá, perdeu 20 quilos, transformou a atividade física em parte da rotina e chegou, na Meia Maratona Coop, à 19ª prova desde que começou a correr. A trajetória também se conecta à proposta da Unimed Maceió de ampliar a atuação em saúde para além da assistência médica, ao participar da realização de uma iniciativa voltada ao esporte e à adoção de hábitos mais ativos. “Quando me vi obesa, triste, indisposta, com vergonha de sair e sem vontade de nada, percebi que precisava voltar a olhar para mim”, conta.
Na época, Pamela pesava 90 quilos. Hoje, está com 70 kg e diz que a principal transformação não ficou restrita à balança. A corrida, praticada com constância há cerca de um ano, trouxe mudanças também na disposição e na maneira como passou a enxergar a própria rotina. “Com certeza, o mais difícil foi vencer o cansaço. Me cobrar autocuidado enquanto cuidava das crianças, do marido, da casa, cozinhava e limpava foi difícil demais. A vontade era só descansar”, lembra.
Essa relação entre o exemplo dos pais e os hábitos dos filhos também aparece na literatura científica brasileira. Uma atualização do Report Card Brasil, publicada em 2026 na Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, reuniu dados de 7.740 crianças e adolescentes e 7.039 adultos e encontrou associação positiva entre os níveis de atividade física de pais e filhos nas amostras analisadas.
Primeiros 6 km – Na Meia Maratona Coop, a influência dentro de casa ganhou uma cena especial. Pamela encarou pela primeira vez uma prova de 6 km, distância que até então não havia conseguido completar nem durante os treinamentos. Ela terminou o percurso em 47 minutos e ainda estabeleceu um novo recorde pessoal na marca dos 5 km. No último quilômetro, o corpo já dava sinais de cansaço, mas a vontade de chegar falou mais alto, afirmou. Nos 500 metros finais, sua filha, Hannah Crispim, de 10 anos, entrou no percurso para correr ao lado da mãe.
“Passou pela minha cabeça que ela, ou um deles, tinha que estar presente. Afinal, foi por eles que eu comecei, foi por eles que decidi cuidar de mim, para que eles tivessem uma mãe melhor”, relata. Pamela espera que os filhos levem dessa convivência com o esporte algo que vá além da corrida. “Gostaria que eles entendessem que nossa saúde mental e física é prioridade. Que nosso corpo é capaz não somente de nos manter vivos, mas de superar limites e nos permitir viver momentos extraordinários.”
Para Pamela, a mudança provocada pela corrida foi além da perda de peso. “Mudou tudo. Me deu mais ânimo, mais disposição, mudou minha maneira de enxergar a vida. Me deu mais vontade de viver”, afirma. Após completar os 6 km pela primeira vez, ela agora se prepara para alcançar uma nova distância: os 10 km.
Família na chegada – A família de Iann Costa, pai de dois filhos, esteve presente de outra forma na Meia Maratona Coop. Corredor há quase dois anos e praticante de CrossFit, ele encarou no domingo sua segunda prova de 21 km. A primeira foi a Maratona Internacional de Maceió, em agosto deste ano.
O atleta conta que, desta vez, os trechos elevados na passagem por uma ponte e um viaduto, somada ao vento entre o Pontal e Pajuçara, tornou o percurso mais desgastante e exigiu, mais do que esforço físico, o mental. Nos quilômetros finais, quando o cansaço já pesava e a vontade de parar apareceu, Iann encontrou na família a motivação para seguir. Pensou na esposa, Thalyne Araujo, e nos dois filhos, Bernardo e Maria Joana, que se tornaram parte da força necessária para chegar até o fim.
“Na parte final, o desgaste já era muito grande e a vontade de desistir apareceu. Foi quando pensei na Thalyne e nas crianças. Assim como na vida, eles me dão a força necessária para continuar”, conta. Thalyne também corre e compartilha com Iann uma rotina de atividade física, mas, desta vez, acompanhou a prova fora do percurso e aguardava o marido na chegada. Nos metros finais, a voz da esposa em meio à torcida foi o incentivo que faltava para ele concluir os 21 km.
“Quando me aproximei da chegada, ouvi a Thalyne gritando por mim. Depois de tudo o que tinha enfrentado durante o percurso, ouvir a voz dela naquele momento me deu força para acelerar e cruzar a linha de chegada”, relata. Iann completou os 21 km em 1h46, com pace médio de 5min02 por quilômetro, três minutos abaixo da marca registrada em sua primeira meia maratona. O resultado veio mesmo em um percurso que, segundo ele, exigiu mais fisicamente.
A relação da família com o esporte, no entanto, não se limita às competições. Iann também pratica CrossFit e Thalyne corre, fazendo com que os dois filhos cresçam acompanhando uma rotina em que o exercício está presente no dia a dia. Embora as crianças já demonstrem interesse por esportes e acompanhem alguns momentos das provas, o casal pretende incluí-las cada vez mais nessas experiências.
O comportamento observado na família de Iann também aparece em dados brasileiros. Um estudo publicado no Caderno de Educação Física e Esporte, realizado com adolescentes de 11 a 17 anos e seus responsáveis, mostrou que, entre os pais classificados como fisicamente ativos, 88,3% dos filhos também eram ativos. A pesquisa identificou associação entre os hábitos das duas gerações e aponta o ambiente familiar como um dos fatores relacionados à prática de exercícios.
Para Iann, ser essa referência ganhou ainda mais importância à medida que os filhos cresceram e passaram a ter maior contato com o esporte também na escola. “Hoje eles já percebem muito mais o que fazemos e estão em uma fase de praticar bastante esporte no colégio. É muito bom saber que podemos ser um exemplo positivo para eles”, afirma.
Incentivo ao movimento – A Meia Maratona Coop reuniu diferentes gerações em torno da prática esportiva. Além dos percursos de 6 km, 12 km e 21 km e da caminhada, a programação contou com a Corrida Kids, realizada no sábado (19), na orla de Pajuçara, ampliando a participação das famílias no evento.
As histórias vividas durante a prova ajudam a traduzir, na prática, o que os estudos brasileiros apontam sobre a influência do ambiente familiar na construção de hábitos mais ativos. Essa relação apareceu de diferentes formas ao longo do fim de semana: na filha que acompanhou a mãe nos últimos 500 metros, nos filhos que serviram de motivação para o pai concluir os 21 km e nas crianças que cresceram vendo o exercício fazer parte da rotina de casa.
Para Pamela, a realização de uma iniciativa esportiva por uma cooperativa de saúde também dialoga com a própria trajetória, iniciada há dois anos a partir da decisão de cuidar melhor da saúde. “Quando uma empresa que trabalha com saúde também incentiva as pessoas a se movimentarem, esse cuidado vai além do tratamento. Para quem está participando, é um incentivo para continuar buscando uma vida mais ativa e saudável”, afirma.
/Assessoria














